Primeira história
Ontem à noite, um domingo quente e vazio, parei para assistir "Fantástico" sozinha. Duas reportagens depois, começa esta: a do Charles da Flauta. A história de vida de um menino que chegou a ser considerado um gênio tocando flauta, mas que se perdeu no meio do caminho para o sucesso. Por que se perdeu? Por causa das drogas. Qual droga? O crack. Ele era uma gracinha tocando flauta, de família "probe" (como ele mesmo disse em reportagem de arquivo da Globo). Conseguiu até bolsa de estudos na Alemanha, mas nem sequer embarcou. Ficou por aqui mesmo, vivendo nas ruas, em "companhias erradas". Diz que está há 2 meses "limpo". Hoje, mais de uma década depois, ensina outras pessoas a tocar flauta.
Pensei comigo: 2 meses limpo... É pouco. Sem querer ser pessimista, mas é bem pouco. Tomara que ele consiga ficar para sempre limpo. Acabou a reportagem, mudei de canal.
Segunda história
Hoje, segundona braba, muito trabalho pela frente. Nada como um dia após o outro. Passo os olhos rapidamente pelas principais notícias dos sites e paro nesta: "De viciado em crack a colunista do New York Times", na Folha Online, no blog de Sérgio Dávila. Entrei para ler. É a história de vida de um jornalista (David Carr), hoje em dia muito bem conceituado no jornal americano, mas que já foi por vários anos viciado: em álcool, cocaína, heroína... e crack. Ele resolveu escrever um livro sobre sua própria história (Dávila chamou de egotrip), mas, para isso, precisou recorrer à memória alheia. A dele própria, depois de tanta droga, é falha. Ele não se lembra de tudo com detalhes. Muita gente não quis falar com ele, gente que provavelmente ele magoou no caminho destrutivo. Mas outras, para sua própria surpresa, aceitaram contar a ele a história de sua própria vida. Ele se recuperou. Não está só há 2 meses "limpo". Tem duas filhas, gêmeas, concebidas durante sua loucura.
Tirando a droga, que é a mesma nas duas histórias, Charles da Flauta e David Carr têm em comum outro "detalhe": o rosto marcado pelo vício.
O antes e o depois é triste.
segunda-feira, 18 de agosto de 2008
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