segunda-feira, 31 de março de 2008
Apareceu
Acharam ela. Ou melhor, ela fugiu do "cativeiro" e ligou para meu pai. Está machucada. Prestou depoimento na polícia, que prendeu 4 suspeitos. O que queriam com ela, não sei. Ela não tinha nada no momento da "captura", nem documento nem cartões de banco. Vai entender essa violência toda. Ou essa história.
sábado, 29 de março de 2008
Medo
Eu tento não pensar no pior, mas é só no pior que eu penso.
Só no pior.
No pior, na desgraça, na tragédia.
Em morte.
Não estou conseguindo manter o pensamento positivo, como se diz.
O medo é maior.
Só no pior.
No pior, na desgraça, na tragédia.
Em morte.
Não estou conseguindo manter o pensamento positivo, como se diz.
O medo é maior.
Juízo?
Sumiu. Pegou emprestado o carro de um amigo da faculdade e não voltou mais. Depois de uma festa. Meu pai estava indo para Rio Preto para encontrá-la hoje, iam passar o fim de semana juntos. O pai do menino dono do carro ligou no celular dele pra dar a notícia.
O celular dela está na caixa postal.
Enquanto isso, eu só quero saber uma coisa: está viva?
Meu irmão me ligou para contar. Minha mãe ligou depois, chorando. Meu pai está sozinho, com o pai do menino, na delegacia prestando queixa do desaparecimento.
Vão procurar onde? Nas bocas de fumo? Nos hospitais? No IML?
Alguém tem alguma noção do que é isso? O que é não saber da sua própria irmã? O que é torcer, em casa, sozinha, para que ela esteja viva pelo menos?
Alguém sabe como é sentir medo de que o pior aconteça mas ao mesmo tempo querer dar uma surra nela? Como pode ser tão egoísta? Como pode fazer isso com os outros, com a família que a ama? Como pode só pensar em si mesma sempre, acima de tudo? E sempre para o pior.
E eu fico me perguntado a razão para isso tudo estar acontecendo. Por que isso existe, por que a gente sofre tanto, por que tantas outras famílias sofrem tanto. E, na inocência do meu desespero, eu quero saber também por que existe droga no mundo.
Eu liguei para ela ontem. Fazia semanas que não falava com ela. Contei do meu vestido para o casamento da minha prima, no qual serei madrinha. Disse que ainda estava de férias. Perguntei se tinha crescido juízo na cabeça dela. E ela respondeu que juízo não está sobrando, mas está no ponto. Bom, pensei, pelo menos está no ponto.
É trágico e irônico.
Ontem um amigo meu me perguntou se eu não ia mais atualizar o blog. Foi então que me dei conta de que tudo estava muito tranquilo nos últimos dias... sem sobressaltos.
Bons tempos foram os últimos dias. A agonia começou de novo.
O celular dela está na caixa postal.
Enquanto isso, eu só quero saber uma coisa: está viva?
Meu irmão me ligou para contar. Minha mãe ligou depois, chorando. Meu pai está sozinho, com o pai do menino, na delegacia prestando queixa do desaparecimento.
Vão procurar onde? Nas bocas de fumo? Nos hospitais? No IML?
Alguém tem alguma noção do que é isso? O que é não saber da sua própria irmã? O que é torcer, em casa, sozinha, para que ela esteja viva pelo menos?
Alguém sabe como é sentir medo de que o pior aconteça mas ao mesmo tempo querer dar uma surra nela? Como pode ser tão egoísta? Como pode fazer isso com os outros, com a família que a ama? Como pode só pensar em si mesma sempre, acima de tudo? E sempre para o pior.
E eu fico me perguntado a razão para isso tudo estar acontecendo. Por que isso existe, por que a gente sofre tanto, por que tantas outras famílias sofrem tanto. E, na inocência do meu desespero, eu quero saber também por que existe droga no mundo.
Eu liguei para ela ontem. Fazia semanas que não falava com ela. Contei do meu vestido para o casamento da minha prima, no qual serei madrinha. Disse que ainda estava de férias. Perguntei se tinha crescido juízo na cabeça dela. E ela respondeu que juízo não está sobrando, mas está no ponto. Bom, pensei, pelo menos está no ponto.
É trágico e irônico.
Ontem um amigo meu me perguntou se eu não ia mais atualizar o blog. Foi então que me dei conta de que tudo estava muito tranquilo nos últimos dias... sem sobressaltos.
Bons tempos foram os últimos dias. A agonia começou de novo.
quarta-feira, 12 de março de 2008
As dores do mundo
"Isso me ensinou e me ajudou muito. Sobretudo a não pensar que eu era a única a sofrer no mundo; via que todos tinham seus sofrimentos, que estes não eram privilégio meu. O fato de as pessoas me tratarem de maneira normal me levava, automaticamente, a agir como elas, e me fez, com o passar do tempo, viver sem achar que detinha o monopólio da dor."
Danuza Leão em Quase Tudo, livro que terminei de ler hoje. Ela perdeu marido, pai, filho, irmã, mãe... e conta, neste páragrafo, que o que a ajudou a superar a dor das perdas foi o trabalho.
Todo mundo tem seus demônios.
Todo mundo sofre.
A minha dor é pior porque acontece comigo.
(alguém já disse isso, eu li em algum lugar, mas não me lembro onde nem quando nem quem)
Danuza Leão em Quase Tudo, livro que terminei de ler hoje. Ela perdeu marido, pai, filho, irmã, mãe... e conta, neste páragrafo, que o que a ajudou a superar a dor das perdas foi o trabalho.
Todo mundo tem seus demônios.
Todo mundo sofre.
A minha dor é pior porque acontece comigo.
(alguém já disse isso, eu li em algum lugar, mas não me lembro onde nem quando nem quem)
Corujão
Eu aqui, na maior insônia que nem o fitoterápico novo deu conta, pensando na morte da bezerra, dando brecha pra minha mente inventar suas histórias mirabolantes, de férias. Cabeça vazia, já sabe oficina de quem.
Explodi no último domingo, com minha mãe. Me arrependi. Não tenho esse direito. Ela, na condição de mãe de quem é, por tudo que está passando, não merece mais isso. Não mesmo.
Agi com raiva, confesso. Mas não sinto raiva dela. Nem quero sentir. É doença.
Pedi desculpas hoje.
Terminei de ler o livro da Danuza. Na última linha, ela revela o que eu fiquei calculando durante todos os capítulos: a idade. Gostei.
Explodi no último domingo, com minha mãe. Me arrependi. Não tenho esse direito. Ela, na condição de mãe de quem é, por tudo que está passando, não merece mais isso. Não mesmo.
Agi com raiva, confesso. Mas não sinto raiva dela. Nem quero sentir. É doença.
Pedi desculpas hoje.
Terminei de ler o livro da Danuza. Na última linha, ela revela o que eu fiquei calculando durante todos os capítulos: a idade. Gostei.
sábado, 8 de março de 2008
Bem que eu avisei...
Parece que ainda não vai ser desta vez. Ah, grande novidade! Tragédia anunciada. Trovoada prevista. Com bastante antecedência. Tem gente que me disse que sim, ia ser desta vez. Outras falaram que era pra ficar atenta. Sempre alerta. Cansa. Que preguiça que dá.
O pior de tudo é perceber, olhos nos olhos, a total ausência de arrependimento. Como se o que fez, ou faz, ou continua fazendo, não fosse nada demais.
Usar crack é pouco? Desafio alguém a me dizer que sim.
Que raiva, que ódio. Todos os pensamentos ruins passam pela cabeça agora. Todos. Desastre, roubo, morte. Não fica de fora nenhuma das angústias. E lá vamos nós de novo.
Não dá para sentar na sala e fingir que "tudo bem" depois da cagada feita. Não dá. Se ela acha que nós precisamos aguentá-la para sempre, está errada. Muito errada. Porque eu cansei.
Se houver mesmo recaída, vai ser a quarta. Já passou do "três é demais". A cota já estourou faz tempo. E é muito triste notar, a cada dia que passa, como a esperança de melhora vai se esgotando lentamente. Cada decepção, uma estrelinha a menos.
Talvez seja preciso diminuir a rede protetora em volta dela. Assim, quem sabe, ela perceba o mundo como deve ser percebido. Descubra que nem tudo na vida cai do céu, nem no nosso colo. Apesar de que é isso que tem acontecido com ela, por culpa de muita gente.
Vou fechar os olhos. Ou ler meu livro.
Ela não vai estragar minhas férias mais uma vez, em menos de 3 meses.
O pior de tudo é perceber, olhos nos olhos, a total ausência de arrependimento. Como se o que fez, ou faz, ou continua fazendo, não fosse nada demais.
Usar crack é pouco? Desafio alguém a me dizer que sim.
Que raiva, que ódio. Todos os pensamentos ruins passam pela cabeça agora. Todos. Desastre, roubo, morte. Não fica de fora nenhuma das angústias. E lá vamos nós de novo.
Não dá para sentar na sala e fingir que "tudo bem" depois da cagada feita. Não dá. Se ela acha que nós precisamos aguentá-la para sempre, está errada. Muito errada. Porque eu cansei.
Se houver mesmo recaída, vai ser a quarta. Já passou do "três é demais". A cota já estourou faz tempo. E é muito triste notar, a cada dia que passa, como a esperança de melhora vai se esgotando lentamente. Cada decepção, uma estrelinha a menos.
Talvez seja preciso diminuir a rede protetora em volta dela. Assim, quem sabe, ela perceba o mundo como deve ser percebido. Descubra que nem tudo na vida cai do céu, nem no nosso colo. Apesar de que é isso que tem acontecido com ela, por culpa de muita gente.
Vou fechar os olhos. Ou ler meu livro.
Ela não vai estragar minhas férias mais uma vez, em menos de 3 meses.
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