Me disseram hoje que é melhor parar de tentar achar a solução para o problema. Como assim? Ok, isso não quer dizer que é para sentar e "ver a banda passar", como já dizia aquela música. Não é para se acomodar. É só porque, para algumas situações, não há solução imediata, muito menos aparente. Melhor talvez tentar conviver com o problema? Não sei. Me disseram que sim. A questão é tão complicada que, de repente, nem tem solução mesmo. Vai que o inimigo fique à espreita para sempre. Vai que tenhamos que conviver com a sombra dos dias de pavor mesmo nos dias de calmaria. O monstro debaixo da cama. A mulher de branco no banheiro. O bicho-papão dentro do guarda-roupa. O homem do saco no portão. E que saco enorme, céus.
É foda. Para uma pessoa como eu, que tenta achar razão em tudo, fica meio complicado aceitar o fato de que, talvez, não tenha uma solução. Por quê? Por quê? É a pergunta que não quer calar, pra usar mais um clichê besta e impressionantemente cabível neste momento.
Vai saber o porque. Alguém tem a resposta? Me mande por email, para que a razão se estabeleça de novo por aqui.
Ai, meus sais.
quinta-feira, 29 de novembro de 2007
sexta-feira, 23 de novembro de 2007
Três é demais?
Eu sentei do lado dela e fiquei em silêncio. Ela fumava um cigarro. Eu acendi outro. Ela ficou olhando para o lado esquerdo, fitando o muro. Eu, do lado direito, olhava para a frente, de vez em quando mirava o chão ou a grama. Quanta formiga. O dia estava nublado (claro, um clichê. se tivesse sol, não combinaria com o momento). Perguntei se estava com raiva. Ela disse que não. Perguntei se estava triste. Ela respondeu que sim. E chorou. E então eu olhei pra ela, passei a mão pelo rabo de cavalo, e falei que não sentia raiva dela, que sabia que ela ia voltar e retomar a vida e até se formar, fazer faculdade. Porque eu acreditava, simplesmente acreditava. Ainda acredito. Ou não acredito. Esses sentimentos todos ficam oscilando aqui dentro, parece uma montanha-russa. Uma vontade de chorar de repente.
Meu pai chamou, era hora de ir. Eu me levantei, ela também. Escreveu uma carta que mais parecia um abismo, mas que não passava de uma ameaça, uma última tentativa para evitar o que se precipitava: a ida, a terceira ida para longe (da família, de casa, das drogas).
Não deu pra me despedir, porque tive que tirar o carro para eles saírem. Comigo, no banco de passageiro, minha sobrinha me perguntava se minha mãe era brava comigo quando eu era pequena. Respondi que sim, que era muito brava e exigente.
Naquele momento, eu não senti mais raiva. Era só pena, dor. Revolta.
Até daqui 3 meses, querida.
Alguém liga para meu irmão e avisa ele.
Alguém segura meus pais para que não desabem.
Meu pai chamou, era hora de ir. Eu me levantei, ela também. Escreveu uma carta que mais parecia um abismo, mas que não passava de uma ameaça, uma última tentativa para evitar o que se precipitava: a ida, a terceira ida para longe (da família, de casa, das drogas).
Não deu pra me despedir, porque tive que tirar o carro para eles saírem. Comigo, no banco de passageiro, minha sobrinha me perguntava se minha mãe era brava comigo quando eu era pequena. Respondi que sim, que era muito brava e exigente.
Naquele momento, eu não senti mais raiva. Era só pena, dor. Revolta.
Até daqui 3 meses, querida.
Alguém liga para meu irmão e avisa ele.
Alguém segura meus pais para que não desabem.
Eita joça de vida
Ainda de férias. Fui pra casa, no interior. Até achei que as coisas fossem melhorar. Mas, que nada. Melhora nada. É só gente desabando de tristeza. Gente sentindo frustração. Gente sentindo raiva. Gente sem saber como pode ajudar. Gente tentando dar força. Eita fim de ano que se aproxima. Natalzinho bosta que vai ser esse. Eu vou trabalhar, não vou passar com ninguém da minha própria família. A menina foi internada de novo. Vai ficar por lá mesmo, até fevereiro ou março, não sei. Lá, pelo menos, ela fica longe do vício de merda. Eu odeio droga. Tem hora que não suporto nem mesmo a mais leve das drogas. Até minha vontade de tomar uma cervejinha some ultimamente. E eu vou parar de fumar, de novo. Tentar pelo menos. No dia 3 de janeiro, marquei uma data.
Pior é a tal sensação de impotência. "Fala com ela você, tenta convencer de que é o melhor pra ela a internação". E eu travei. Não sabia o que dizer. Porque eu me sinto impotente. Todos somos impotentes, uns vermes perante o problema.
Que cocô de fim de ano, viu.
Pior é a tal sensação de impotência. "Fala com ela você, tenta convencer de que é o melhor pra ela a internação". E eu travei. Não sabia o que dizer. Porque eu me sinto impotente. Todos somos impotentes, uns vermes perante o problema.
Que cocô de fim de ano, viu.
quinta-feira, 8 de novembro de 2007
Wonder woman
Eu sou um superherói. E meu poder especial é fazer com que as dores do mundo se acabem. Com meu poder eu amenizo as angústias dos que eu amo. Eu sumo com os problemas. Eu calo o choro. Eu apresento um dia melhor. Eu faço raiar um dia sem névoa, um dia claro, com sol. Eu toco alguém e esse alguém se ilumina e só quer o bem. Eu chego perto de minha mãe e anuncio o fim de todas as suas dores. Eu olho para meu pai e o faço esquecer das frustrações.
Eu sou um super herói. E, com meu superpoder, eu dou fim à agonia desses últimos dias. Eu pairo sobre minha casa e trago a luz. Eu faço com que os horrores não existam mais. E uma força extraordinária emana de mim, como um véu apaziguador cobrindo os que eu amo.
Eu tenho o poder de livrar ela do mal. Eu tenho o poder de extrair o vício pela raiz. Eu posso, com meus superpoderes, fazê-la enxergar tudo o que está jogando fora, toda a felicidade, todo o amor, a confiança das pessoas, a esperança de um futuro. A saúde que vai pelo ralo, a cada entrega errada às drogas. Eu tenho o poder. Eu sou um superherói
Porque acreditar é o melhor remédio. Ter esperança é o poder maior, supremo.
Eu sou um super herói. E, com meu superpoder, eu dou fim à agonia desses últimos dias. Eu pairo sobre minha casa e trago a luz. Eu faço com que os horrores não existam mais. E uma força extraordinária emana de mim, como um véu apaziguador cobrindo os que eu amo.
Eu tenho o poder de livrar ela do mal. Eu tenho o poder de extrair o vício pela raiz. Eu posso, com meus superpoderes, fazê-la enxergar tudo o que está jogando fora, toda a felicidade, todo o amor, a confiança das pessoas, a esperança de um futuro. A saúde que vai pelo ralo, a cada entrega errada às drogas. Eu tenho o poder. Eu sou um superherói
Porque acreditar é o melhor remédio. Ter esperança é o poder maior, supremo.
Fora de controle
Terceira recaída, depois de duas internações. Voltou a sair do controle. Out of control total. E agora, o que acontece agora?
quarta-feira, 7 de novembro de 2007
Armaduras
Rolei na cama das 5 às 7, sem conseguir pregar o olho. É muito pensamento que passa pela cabeça. Foi quando eu pensei sobre as armaduras que cada um veste, na vida, para se proteger das mais variadas situações que incomodam, fazem mal, entristecem, botam medo. E cada um tem a sua própria maneira de se armar contra os problemas. Tem gente que sente raiva de uma situação e, sentindo raiva, se afasta. Se protege com a raiva. Sente um ódio de alguém, ou de um fato, que não consegue pensar sobre a situação nem se envolver com o problema. Fico pensando se não é fácil ser desse tipo, que sente raiva. Porque funciona muito bem como uma armadura: a pessoa não se envolve emocionalmente, nem se deixa levar pelos medos e ansiedades que o problema pode acarretar. Eu, pelo contrário, não sinto raiva. Minha raiva passa em segundos, sempre passou. Não costumo guardar ressentimentos nem mágoas. Talvez devesse ser mais assim. O caso é que não sou. Eu sou daquelas cuja armadura é tentar esquecer um pouquinho, durante o dia, durante a noite. Mergulho no trabalho, me dedico a uma atividade ou a outra pessoa para poder não pensar a todo momento no que me entristece, no que me causa dor. Quando cai a ficha e eu me lembro do problema, daí fica ruim. É como levar uma martelada da realidade na cabeça. Dá vontade de me enfiar em um lugar escuro e ficar lá na posição fetal, protegida dos meus fantasmas. Dos medos que rondam minha vida atualmente. Fico perdida. Tem ainda quem vista a carapuça da esperança e passe a acreditar que vai melhorar. E repete a si mesmo aos outros: vai melhorar, calma porque vai melhorar. Bem, eu tinha essa armadura também. Lá em junho, quando houve a primeira crise. Se 70% não se recuperam, tem ainda os 30% que se recuperam. É nesses 30% que devemos nos apegar, não é? Porque, se vai entrar pra uma guerra, que entre achando que vai ganhar. Se entrar sabendo que vai perder, você vai perder, pode ter certeza. O duro é manter essa armadura por muito tempo. Porque vem a realidade e te derruba feito um galho de árvore morta. Te arrasta feito entulho em enxurrada. E há ainda a incrível capacidade do ser humano de se acostumar com as situações. Da primeira vez, o choque é enorme. Da segunda, já está meio amortecido. Da terceira, o corpo parece nem sentir mais a pancada. É como olhar todos os dias crianças pedindo dinheiro no sinal e, de um dia pra outro, parece que elas nem estão ali mais. Já fazem parte da paisagem.
Eu não quero que entre para a minha paisagem a sensação de amortecimento. Eu quero voltar a vestir a armadura da esperança. E com ela lutar contra todos os demônios.
Porque eu estou vestida com as roupas e as armas de Jorge.
E vou ganhar esta batalha. Ah, vou.
Eu não quero que entre para a minha paisagem a sensação de amortecimento. Eu quero voltar a vestir a armadura da esperança. E com ela lutar contra todos os demônios.
Porque eu estou vestida com as roupas e as armas de Jorge.
E vou ganhar esta batalha. Ah, vou.
terça-feira, 6 de novembro de 2007
Feliz ano velho?
Cada dia com sua agonia. Ou uma agonia de cada vez. Ou uma agonia a cada dia. Todos os dias. Queria entrar na cabecinha dela pra saber o que se passa. O que pensa, o que quer, por que não consegue sair do redemoinho no qual entrou. Queria entrar na mente, por um dia, pra poder achar o lugar onde ainda existe razão e fixar esse lugar em toda a mente dela, pra que possa enxergar o melhor dentre o que há de ruim. Puxar o fio da razão por toda a mente, fazê-lo se espalhar por todos os cantos estranhos que habitam hoje os pensamentos dela. Por que não luta? Ou, se luta, por que não vence? Sabe quando a vida era comum, sem sobressaltos? Lembra quando os problemas eram solucionáveis? Lembra quando o dia começava e terminava normalmente? Lembra dos anos passados? Do livro do Marcelo Rubens Paiva que celebrava o ano que tinha ficado pra trás, não o ano que está por vir? A vontade é ficar lembrando das épocas em que nada disso acontecia, em que o problema não existia. O fato é que o futuro está aí, o dia seguinte está batendo na porta, pronto pra raiar. Como todos os dias devem ser. É para o futuro que olhamos, é no futuro que depositamos todas as expectativas. Claro que há frustrações. A vida é assim mesmo, o que se pode fazer? É no futuro que quero me apegar, pra acreditar que vai melhorar. Que ela vai melhorar. Porque ela vai, eu tenho que acreditar que vai.
Feliz ano velho, sim. Mas é no ano novo que eu vou me agarrar. Porque o ano novo vai ser maravilhoso (eu quero acreditar que sim).
E porque quem vive de passado é museu.
Feliz ano velho, sim. Mas é no ano novo que eu vou me agarrar. Porque o ano novo vai ser maravilhoso (eu quero acreditar que sim).
E porque quem vive de passado é museu.
sábado, 3 de novembro de 2007
Ainda é cedo, amor
Mal começaste a conhecer a vida
Já anuncias a hora da partida
Sem saber mesmo o rumo que iras tomar
Preste atenção, querida
Embora eu saiba que estás resolvida
Em cada esquina cai um pouco tua vida
Em pouco tempo não serás mais o que és
Ouça-me bem, amor
Preste atenção o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos, tão mesquinho
Vai reduzir as ilusões à pó
Preste atenção, querida
De cada amor tu herdarás só o cinismo
Quando notares estás à beira do abismo
Abismo que cavastes com teus pés
Não é mórbido. É lindo. Traduz perfeitamente o que se passa hoje com relação a alguém que eu amo muito. A vida é curta demais, mas ainda somos muito jovens. Eu tento aconselhar, tento me aproximar, tento dar força e dizer que vai passar. Que ainda há tempo. Mas a sensação de impotência é terrível. A sensação de estar perdida por não ser capaz de mudar a situação. Impotência extrema. Incapacidade. Você é incapaz de alguma ação? Eu sou. Já fui outras vezes, é verdade, mas desta vez é real, é palpável. Angustia. Talvez escrever melhore. Por isso, e por ela, eu criei esse blog.
Mal começaste a conhecer a vida
Já anuncias a hora da partida
Sem saber mesmo o rumo que iras tomar
Preste atenção, querida
Embora eu saiba que estás resolvida
Em cada esquina cai um pouco tua vida
Em pouco tempo não serás mais o que és
Ouça-me bem, amor
Preste atenção o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos, tão mesquinho
Vai reduzir as ilusões à pó
Preste atenção, querida
De cada amor tu herdarás só o cinismo
Quando notares estás à beira do abismo
Abismo que cavastes com teus pés
Não é mórbido. É lindo. Traduz perfeitamente o que se passa hoje com relação a alguém que eu amo muito. A vida é curta demais, mas ainda somos muito jovens. Eu tento aconselhar, tento me aproximar, tento dar força e dizer que vai passar. Que ainda há tempo. Mas a sensação de impotência é terrível. A sensação de estar perdida por não ser capaz de mudar a situação. Impotência extrema. Incapacidade. Você é incapaz de alguma ação? Eu sou. Já fui outras vezes, é verdade, mas desta vez é real, é palpável. Angustia. Talvez escrever melhore. Por isso, e por ela, eu criei esse blog.
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