Minha terapeuta me disse para não congelar minha vida por causa dos problemas da minha irmã, porque, diz ela, é isso que eu estou fazendo nos últimos dias. Deixei o desânimo tomar conta. Deixei a lâmpada acesa para a tristeza entrar (como diz "Regra Três"). Perdi as rédeas da situação e o problema dela, que não é meu, penetrou no meu trabalho, no meu namoro, na minha casa. Tirou meu sono.
Preciso construir barreiras mais fortes, armaduras mais potentes contra o problema da minha irmã. Porque eu não sou ela. Eu preciso continuar minha vida, apesar do buraco em que ela se meteu. Tenho que dar continuidade aos meus planos. Eu posso me envolver na questão, mas sem me afundar junto. Eu posso tentar ajudá-la, mas sem ser arrastada. Isso não vai adiantar.
É como se eu fosse ela. Como se eu tivesse que sofrer também, parar minha vida e só recomeçar quando ela estiver pronta para recomeçar. Mas eu não sou a Gisela. Eu sou a Isabela. A semelhança está só na sonoridade do nome. Na minha vida quem manda sou eu.
ps.: o título deste post lembra o título de uma música do Chico
quinta-feira, 31 de janeiro de 2008
terça-feira, 29 de janeiro de 2008
O querer
Em certas ocasiões, querer é poder. Precisa ser desse jeito. Para largar um vício, qualquer tipo de vício (até o do cigarro, meu caso atualmente), é necessário estar no topo da lista a vontade de parar. O querer. Mas tem que querer muito. Querer com força. Bota querer nisso...
Daí eu fico imaginando: se parar de fumar é tão insuportável, imagina tentar largar substâncias mais pesadas, alucinógenas, que causam delírio (perseguido para fugir da realidade atormentadora e insuportável). Deve ser muito difícil.
Por isso que é preciso querer. Só querendo muito a pessoa vai poder (e conseguir) sair da merda da droga.
Eu torço para que ela queira. Torço com força. E para que eu abandone esse cigarro de nicotina maldito de uma vez por todas. Não consigo nem dormir.
Daí eu fico imaginando: se parar de fumar é tão insuportável, imagina tentar largar substâncias mais pesadas, alucinógenas, que causam delírio (perseguido para fugir da realidade atormentadora e insuportável). Deve ser muito difícil.
Por isso que é preciso querer. Só querendo muito a pessoa vai poder (e conseguir) sair da merda da droga.
Eu torço para que ela queira. Torço com força. E para que eu abandone esse cigarro de nicotina maldito de uma vez por todas. Não consigo nem dormir.
Ainda sobre o Johnny
Esse filme está rendendo. Pois então, aqui vou falar sobre penas alternativas, que foi o que o João Estrela recebeu na vida dele (na minha opinião). Pensa bem: o cara era o maior traficante daqueles anos, no Rio. Ele vendia a cocaína para toda a sociedade carioca. Vendeu lá fora, no exterior, fez tráfico internacional. E recebeu só 3 anos? Em um hospital psiquiátrico? É pouco. Pensa bem, é muito pouco.
Mas eu acho que não foi errada a pena. O lugar onde ele ficou, sim, foi errado. Vou tentar explicar.
O cara era um viciado. Ele não vendia droga para ser rico, ele não virou um milionário do tráfico (como o outro personagem), não teve propriedades. Tudo que ele ganhou, ele gastou. Ele vendia para se sustentar. Ele era um doente, que precisava de tratamento - não de cadeia, que não recupera ninguém, está todo mundo cansado de saber. Por isso eu acho que a pena foi acertada.
Agora, o lugar pra onde ele foi... aquilo lá também não recupera ninguém. João Estrela só se livrou do vício por mérito próprio, porque não tinha saída e não quis se render. Quis melhorar. Poderia muito bem ter ficado louco, como ele próprio disse em entrevistas recentes.
Dizem que as melhores clínicas de recuperação de drogados são as que não oferecem luxo nenhum. Porque, dizem, a pessoa só percebe o buraco onde se enfiou depois que começa a perder as mordomias: bomba nos estudos, perde o carro e, principalmente e acima de tudo, perde a confiança das pessoas. Isso é o pior. Sabe a história do Pedro e o lobo? Então, é mais ou menos assim.
Em um sistema judiciário que funcione bem, penas alternativas dariam certo. Aqui no Brasil... não sei não. Tenho minhas dúvidas.
O vício é uma doença.
Mas eu acho que não foi errada a pena. O lugar onde ele ficou, sim, foi errado. Vou tentar explicar.
O cara era um viciado. Ele não vendia droga para ser rico, ele não virou um milionário do tráfico (como o outro personagem), não teve propriedades. Tudo que ele ganhou, ele gastou. Ele vendia para se sustentar. Ele era um doente, que precisava de tratamento - não de cadeia, que não recupera ninguém, está todo mundo cansado de saber. Por isso eu acho que a pena foi acertada.
Agora, o lugar pra onde ele foi... aquilo lá também não recupera ninguém. João Estrela só se livrou do vício por mérito próprio, porque não tinha saída e não quis se render. Quis melhorar. Poderia muito bem ter ficado louco, como ele próprio disse em entrevistas recentes.
Dizem que as melhores clínicas de recuperação de drogados são as que não oferecem luxo nenhum. Porque, dizem, a pessoa só percebe o buraco onde se enfiou depois que começa a perder as mordomias: bomba nos estudos, perde o carro e, principalmente e acima de tudo, perde a confiança das pessoas. Isso é o pior. Sabe a história do Pedro e o lobo? Então, é mais ou menos assim.
Em um sistema judiciário que funcione bem, penas alternativas dariam certo. Aqui no Brasil... não sei não. Tenho minhas dúvidas.
O vício é uma doença.
sexta-feira, 25 de janeiro de 2008
Meu nome não é Johnny
Assisti ontem ao filme "Meu nome não é Johnny". Eu gostei do filme. Principalmente porque tem um final, digamos, feliz. Ele sai das drogas, do tráfico, do vício. E hoje trabalha no ramo musical, vive bem. O melhor, no final do filme, é a frase da juíza que o condenou a apenas 3 anos de "tratamento" em um hospital psiquiátrico: "João Guilherme Estrela é a prova viva de que as pessoas podem ser recuperadas."
Eu me arrepio até agora toda vez que lembro dessa frase. As pessoas podem ser recuperadas. Casos assim aconteceram, ainda acontecem. Elas podem ser recuperadas.
O filme tem umas tiradas ótimas, engraçadas... as cenas dele na prisão (cadeia de verdade) chegam a ser hilárias. O ator está muito bem no papel, na minha opinião. Não dei risada o filme todo. Na verdade, eu mais chorei do que ri. Era como se tivessem contando a história da minha irmã. Era como se eu olhasse a mãe do João Estrela e visse a minha própria família sofrendo.
E, no fim da sessão, quando as luzes se acenderam, o espanto dos outros pelo meu choro.Não tenho que explicar nada a ninguém. Me deixem chorar em paz. Me deixem sozinha com a minha angústia, só eu entendo dela.
Talvez eu tenha sido a única ontem a chorar vendo esse filme. Talvez eu tenha sido a única a chorar tanto nos últimos dias.
Claro que não. O mundo não gira no meu umbigo!
Tenha fé.
Eu me arrepio até agora toda vez que lembro dessa frase. As pessoas podem ser recuperadas. Casos assim aconteceram, ainda acontecem. Elas podem ser recuperadas.
O filme tem umas tiradas ótimas, engraçadas... as cenas dele na prisão (cadeia de verdade) chegam a ser hilárias. O ator está muito bem no papel, na minha opinião. Não dei risada o filme todo. Na verdade, eu mais chorei do que ri. Era como se tivessem contando a história da minha irmã. Era como se eu olhasse a mãe do João Estrela e visse a minha própria família sofrendo.
E, no fim da sessão, quando as luzes se acenderam, o espanto dos outros pelo meu choro.Não tenho que explicar nada a ninguém. Me deixem chorar em paz. Me deixem sozinha com a minha angústia, só eu entendo dela.
Talvez eu tenha sido a única ontem a chorar vendo esse filme. Talvez eu tenha sido a única a chorar tanto nos últimos dias.
Claro que não. O mundo não gira no meu umbigo!
Tenha fé.
quinta-feira, 24 de janeiro de 2008
Nunca achei que ela fosse burra?
Ela passou no vestibular. Confesso que não botava fé, não. Ela não estuda há, no mínimo, 3 anos. Pra contar o mínimo mesmo. Ela sempre foi inteligente, isso é um outro fato. Se bem que, pelos rumos e atitudes tomados no último ano, não dá para qualificá-la de tão inteligente assim. Costumava dizer que ela usava a inteligência para fazer coisa errada. Usava mal a inteligência. Bem, mudei de opinião depois de um tempo, porque isso não é inteligência. É burrice. Fazer o quê? É burrice.
Não é só uma questão de inteligência, de QI, eu sei, eu sei. Há fatores demais envolvidos: emocionais, psicológicos, de criação, de convivência, de personalidade.
Ela passou no vestibular. E agora, mãe? E agora? Vai morar sozinha? Vai morar com quem? Não dá pra morar em Paranaíba, ok. Mas vai morar sozinha? Vai viver a realidade de uma universidade, onde tudo acontece, quase tudo é permitido, porque é nessa época que as pessoas aproveitam pra valer, antes de ter que encarar o emprego, as responsabilidades?
Eu só acredito vendo. Eu só vou ficar contente de verdade depois que der certo. Desculpe, mas eu cansei de ver espatifada no chão a minha esperança. Deixa a realidade se assentar antes para ser feliz nesse caso.
De qualquer forma, parabéns.
É a Unip.
Não é só uma questão de inteligência, de QI, eu sei, eu sei. Há fatores demais envolvidos: emocionais, psicológicos, de criação, de convivência, de personalidade.
Ela passou no vestibular. E agora, mãe? E agora? Vai morar sozinha? Vai morar com quem? Não dá pra morar em Paranaíba, ok. Mas vai morar sozinha? Vai viver a realidade de uma universidade, onde tudo acontece, quase tudo é permitido, porque é nessa época que as pessoas aproveitam pra valer, antes de ter que encarar o emprego, as responsabilidades?
Eu só acredito vendo. Eu só vou ficar contente de verdade depois que der certo. Desculpe, mas eu cansei de ver espatifada no chão a minha esperança. Deixa a realidade se assentar antes para ser feliz nesse caso.
De qualquer forma, parabéns.
É a Unip.
quarta-feira, 23 de janeiro de 2008
Nuvem de lágrimas
Há uma nuvem de lágrimas sobre os meus olhos. Eu não consigo parar de chorar. Estou com medo.
terça-feira, 22 de janeiro de 2008
Muletinha
Viraram o mundo de ponta-cabeça e ninguém me avisou. Vivo em altos e baixos, nos últimos dias. Desde ontem eu choro sem parar. Fui dormir chorando. Acordei, com insônia, às 5h30 e chorei de novo. Fui para a terapia e chorei 3 vezes. Quase choro agora, no trabalho. A angústia nunca tinha sido desse tamanho, tão grande. A tristeza, o medo, um desespero até. Medo de dar errado de novo, medo da morte, medo de ver a esperança se espatifar de novo no chão. O jeito vai ser ajustar a esperança ao tamanho do problema. E me preparar para as duas faces da moeda: a boa e a ruim. Se der a boa, melhor, opa! Se der a ruim, recolhe os cacos, cola tudo, remenda e vam'bora. ´
Que saudade do meu cigarro, da minha muletinha para as horas de solidão.
Que saudade do meu cigarro, da minha muletinha para as horas de solidão.
domingo, 20 de janeiro de 2008
Trechos
"O homem se droga, comete crimes, sempre que sua vida tem falta de sentido e sempre que se afasta de Deus"
"Família de vítima jamais perdoa"
"Ser humano só melhora quando há endurecimento de penas"
de entrevista do ex-delegado de polícia e advogado criminalista paulistano Milton Bednarski, 78 anos de idade, à revista "Joyce Pascowitch", edição de dezembro
"Família de vítima jamais perdoa"
"Ser humano só melhora quando há endurecimento de penas"
de entrevista do ex-delegado de polícia e advogado criminalista paulistano Milton Bednarski, 78 anos de idade, à revista "Joyce Pascowitch", edição de dezembro
sexta-feira, 18 de janeiro de 2008
Era só o que faltava
Não vai adiantar passar a mão na cabeça. Não vai dar certo tentar amenizar a situação pra que ela tenha uma vida mais fácil. Tem gente que só procura pedreira. E depois quer moleza. Sai da moleza pra pedreira, por opção pessoal, e depois quer a vida boa de volta. Não é assim. Nunca foi nem nunca vai ser. Não adianta vestir a roupa de salvador da pátria, porque não tem isso no mundo. Ai que tortura. Que angústia. Que vontade de chorar. Que ódio. Cadê minha terapeuta? Por que eu não fui lá na terça-feira?
Vai se aproximando o dia de ela sair definitivamente (e pela última vez?) da clínica. Tá todo mundo em pânico, nervoso, ansioso, tremendo, com medo, com colesterol e pressão altos. O mundo tá balançando ou é o povo que tá agitado? Preferia um terremoto a reviver todo o pavor e a tristeza de novo.
Que vontade de chorar.
Vai se aproximando o dia de ela sair definitivamente (e pela última vez?) da clínica. Tá todo mundo em pânico, nervoso, ansioso, tremendo, com medo, com colesterol e pressão altos. O mundo tá balançando ou é o povo que tá agitado? Preferia um terremoto a reviver todo o pavor e a tristeza de novo.
Que vontade de chorar.
quarta-feira, 9 de janeiro de 2008
Alta
Ela está de alta. Ou seja, já pode sair da clínica onde está desde o dia 11 de novembro. Dois meses de internação. E por aí vem o carnaval... tomara que fique lá até passar essa folia toda, esse desregramento típico da época... Fevereiro é mês em que a maioria das pessoas perde as estribeiras: bebe demais, beija demais, dança demais. Mês de muitos e variados excessos. Não é bom para quem está lutando para evitar exatamente isso: os excessos. Torço para passar o carnaval lá, mas não sou eu quem decide isso.
Estava conversando com uma amiga minha agora há pouco e chegamos a uma conclusão juntas: Deus sabe o que faz, a hora que tem que fazer, como tem que fazer. Não vou explicar aqui o que nos levou a essa conclusão, deixa pra outro post.
E por falar em Deus: tem um monte de gente lá em casa pendurado em você, viu? Fazendo o possível aqui na Terra, para que você dê uma ajudinha aí do céu.
Eu acredito em Deus.
Estava conversando com uma amiga minha agora há pouco e chegamos a uma conclusão juntas: Deus sabe o que faz, a hora que tem que fazer, como tem que fazer. Não vou explicar aqui o que nos levou a essa conclusão, deixa pra outro post.
E por falar em Deus: tem um monte de gente lá em casa pendurado em você, viu? Fazendo o possível aqui na Terra, para que você dê uma ajudinha aí do céu.
Eu acredito em Deus.
segunda-feira, 7 de janeiro de 2008
Tudo azul?
Comecei 2008 com duas novidades (e bota novidade nisso!): parei de fumar (novamente) e estou com saldo no banco (pasme!). Depois de um ano enrolando, só não fumando no trabalho e em outras ocasiões raras, tomei vergonha na cara e começo a tentar de novo a parar de fumar. É a terceira tentativa séria. Na última vez, fiquei 3 meses sem fumar nada mesmo. Veremos...
A questão do banco... bem, esse caso é sério. Vivo no vermelho. Para mim, limite é saldo. Eu computo a grana do cheque especial como se fosse minha, meu salário, um dinheiro para meu usufruto. Tem cabimento? Não. Promessa de ano novo: ficar no azul. Sair do vermelho. Gastar menos...
Esperança de ano novo: muita coisa. Mas muita mesmo. Que ela se recupere, depois da terceira internação. Que eu pare de fumar nesta terceira tentativa. Que haja muito amor na minha vida, para que ela continue cor de rosa.
A questão do banco... bem, esse caso é sério. Vivo no vermelho. Para mim, limite é saldo. Eu computo a grana do cheque especial como se fosse minha, meu salário, um dinheiro para meu usufruto. Tem cabimento? Não. Promessa de ano novo: ficar no azul. Sair do vermelho. Gastar menos...
Esperança de ano novo: muita coisa. Mas muita mesmo. Que ela se recupere, depois da terceira internação. Que eu pare de fumar nesta terceira tentativa. Que haja muito amor na minha vida, para que ela continue cor de rosa.
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