sábado, 18 de outubro de 2008
Viva la vida
Tarde de sábado meio fria, pra variar. Eu sozinha. Toca Coldplay, mas é só uma coincidência. Não fui eu que escolhi a música. Página do Orkut da Gi: fotos novas, recados novos. Ninguém dizendo nada suspeito. As imagens me deram uma baita saudade de todos, de casa, de gente que não vejo há mais de ano. Ela está tão bonita, sabe. Um sorriso largo, o cabelo bem cuidado, cara de gente feliz. Ai que saudade. Chega até a doer (quem será que disse que saudade dói pela primeira vez?).
domingo, 12 de outubro de 2008
100 anos de Cartola
Vai aqui um pedacinho da música do Cartola que eu tanto adoro e que tomei emprestada para dar título a este blog. E porque ela diz sobre minha irmã:
"Ainda é cedo, amor
Mal começaste a conhecer a vida
Já anuncias a hora de partida
Sem saber mesmo o rumo que irás tomar"
Parabéns aos 100 anos do gênio. Que gênio.
"Ainda é cedo, amor
Mal começaste a conhecer a vida
Já anuncias a hora de partida
Sem saber mesmo o rumo que irás tomar"
Parabéns aos 100 anos do gênio. Que gênio.
quarta-feira, 8 de outubro de 2008
Cracolândias
08/10/2008 - 14h45
Usuário de crack discute com a família e coloca fogo na própria casa no RS
Do UOL Notícias
Em São Paulo
Na última vez que fui visitá-la, conversei com um homem que trabalha lá, não me lembro bem a função, mas é tipo um orientador. Ex-usuário de crack. Ele me contou que, no Rio Grande do Sul, de onde ele próprio veio, o consumo de crack aumentou bastante. Que lá também existe uma cracolândia, onde os "noinhas" ficam se drogando.
Acho que a situação está beirando a calamidade. Será que as autoridades estão atentas? Bastou aquela série de reportagens do Jornal da Globo? Ou vai precisar mais?
Usuário de crack discute com a família e coloca fogo na própria casa no RS
Do UOL Notícias
Em São Paulo
Na última vez que fui visitá-la, conversei com um homem que trabalha lá, não me lembro bem a função, mas é tipo um orientador. Ex-usuário de crack. Ele me contou que, no Rio Grande do Sul, de onde ele próprio veio, o consumo de crack aumentou bastante. Que lá também existe uma cracolândia, onde os "noinhas" ficam se drogando.
Acho que a situação está beirando a calamidade. Será que as autoridades estão atentas? Bastou aquela série de reportagens do Jornal da Globo? Ou vai precisar mais?
terça-feira, 7 de outubro de 2008
Quando uma desculpa é tudo o que você precisa
Desculpa pra voltar a fumar.
Pra sair todas as noites.
Pra brigar.
Pra faltar ao trabalho.
Pra reclamar da vida, em geral.
Desculpa pra terminar um namoro.
Pra adiar uma conversa.
Pra não ir à terapia.
Pra ficar em casa e não fazer nada.
Desculpa pra gritar com alguém.
Pra não ir com a cara de alguém.
Pra transar com alguém.
Pra odiar e amar.
Desculpa pra não gostar do chefe.
Pra comer comida que engorda e faz mal.
Pra não lavar o carro.
Pra torrar o salário no shopping.
Desculpa pra ter recaídas.
Pra se deixar levar pelo desejo incontrolável.
Pra poder ter aquela última vez, a última sensação.
Desculpa pra recomeçar tudo de novo, outra vez.
Desculpa pra disfarçar a vontade insaciável que sempre esteve ali, mas que a consciência nos impede de colocar pra fora. E por isso a gente arruma uma desculpa. Quase sempre.
Pra sair todas as noites.
Pra brigar.
Pra faltar ao trabalho.
Pra reclamar da vida, em geral.
Desculpa pra terminar um namoro.
Pra adiar uma conversa.
Pra não ir à terapia.
Pra ficar em casa e não fazer nada.
Desculpa pra gritar com alguém.
Pra não ir com a cara de alguém.
Pra transar com alguém.
Pra odiar e amar.
Desculpa pra não gostar do chefe.
Pra comer comida que engorda e faz mal.
Pra não lavar o carro.
Pra torrar o salário no shopping.
Desculpa pra ter recaídas.
Pra se deixar levar pelo desejo incontrolável.
Pra poder ter aquela última vez, a última sensação.
Desculpa pra recomeçar tudo de novo, outra vez.
Desculpa pra disfarçar a vontade insaciável que sempre esteve ali, mas que a consciência nos impede de colocar pra fora. E por isso a gente arruma uma desculpa. Quase sempre.
quinta-feira, 25 de setembro de 2008
Como fazer alguém feliz
Surpresa é sempre bom. Surpresa agradável, quero dizer. Do contrário, é desgraça. E chega de desgraça nessa vida.
Ontem fui visitar minha irmã. Acordei às 8h, troquei de roupa e fui. Parei num posto de gasolina para abastecer e comprar um pacote de cigarros, uma caixa de bombons, dois pacotes de bolacha recheada de chocolate e uma coca-cola. Devia ter levado duas cocas: a primeira acabou em meia hora. Ela queria McDonald's, mas não tinha nenhum aberto naquela hora da matina.
Cheguei lá sem saber se poderia entrar: minha mãe não tinha conseguido avisar, o telefone estava mudo. Toquei a campainha e quem me atendeu foi uma moça que já me conhecia da outra vez. Me deixou entrar e confidenciou: "Ela vai ficar muito feliz."
E foi isso mesmo que eu vi. Ela veio descendo a rampa da casa, de moleton azul de capuz, calça jeans número 40 (caindo pelas coxas, mostrando a calcinha vermelha e que ela emagreceu mais) e rabo de cavalo. O rosto vermelho, de quando a gente quer chorar mas segura. Me abraçou, mas eu nem lembro o que ela falou.
A gente desceu lá pra beira da represa e ficou, conversando, atualizando as notícias e passando frio. Dali a pouco desceu um terapeuta, chama Eduardo (acho). Ficamos conversando os três. Ele também é ex-viciado: crack e cocaína. E heroína também. Coisa pesada.
Resolvi contar sobre a série de reportagens que o Jornal da Globo tem feito sobre a "epidemia do crack". Nem sei se deveria ter contado. Mas me veio à cabeça. Falam na TV como se fosse novidade. Me irrita.
Ela me contou uns segredos.
Fui embora mais ou menos duas horas depois, tinha que trabalhar. Não chorei na saída, como da última vez. Foi bom encontrá-la. Não tenho nem como descrever a felicidade. Dela e minha.
Ela é tão novinha ainda. Dá um aperto no peito.
Se visitá-la resolvesse todos os problemas e a fizesse tão feliz sempre, se bastasse só uma visita, eu iria todos os dias.
Não lembro o que disse na hora de ir. Nem do que ela disse. A gente se abraçou. E bastou.
Ontem fui visitar minha irmã. Acordei às 8h, troquei de roupa e fui. Parei num posto de gasolina para abastecer e comprar um pacote de cigarros, uma caixa de bombons, dois pacotes de bolacha recheada de chocolate e uma coca-cola. Devia ter levado duas cocas: a primeira acabou em meia hora. Ela queria McDonald's, mas não tinha nenhum aberto naquela hora da matina.
Cheguei lá sem saber se poderia entrar: minha mãe não tinha conseguido avisar, o telefone estava mudo. Toquei a campainha e quem me atendeu foi uma moça que já me conhecia da outra vez. Me deixou entrar e confidenciou: "Ela vai ficar muito feliz."
E foi isso mesmo que eu vi. Ela veio descendo a rampa da casa, de moleton azul de capuz, calça jeans número 40 (caindo pelas coxas, mostrando a calcinha vermelha e que ela emagreceu mais) e rabo de cavalo. O rosto vermelho, de quando a gente quer chorar mas segura. Me abraçou, mas eu nem lembro o que ela falou.
A gente desceu lá pra beira da represa e ficou, conversando, atualizando as notícias e passando frio. Dali a pouco desceu um terapeuta, chama Eduardo (acho). Ficamos conversando os três. Ele também é ex-viciado: crack e cocaína. E heroína também. Coisa pesada.
Resolvi contar sobre a série de reportagens que o Jornal da Globo tem feito sobre a "epidemia do crack". Nem sei se deveria ter contado. Mas me veio à cabeça. Falam na TV como se fosse novidade. Me irrita.
Ela me contou uns segredos.
Fui embora mais ou menos duas horas depois, tinha que trabalhar. Não chorei na saída, como da última vez. Foi bom encontrá-la. Não tenho nem como descrever a felicidade. Dela e minha.
Ela é tão novinha ainda. Dá um aperto no peito.
Se visitá-la resolvesse todos os problemas e a fizesse tão feliz sempre, se bastasse só uma visita, eu iria todos os dias.
Não lembro o que disse na hora de ir. Nem do que ela disse. A gente se abraçou. E bastou.
terça-feira, 23 de setembro de 2008
Amanhã
É amanhã que vou lá, sozinha. Acordar cedo, comprar uns maços de cigarretes e toca pra São Bernardo!
Faz 5 meses que ela está internada. Já parou pra pensar em ficar 5 meses internada em um mesmo lugar, sem sair, sem ver pessoas, sem comer uma pizza no domingo ou tomar um chope no sábado? Sem poder falar com as pessoas de quem você gosta, nem sequer por telefone? Sem ver ninguém, só uma vez por mês e só pai e mãe (no fim das contas, é o que importa: pai e mãe)? Tanta coisa que aconteceu. Tanta gente que nasceu, morreu... mas já falei disso aqui.
Amanhã eu conto mais.
Faz 5 meses que ela está internada. Já parou pra pensar em ficar 5 meses internada em um mesmo lugar, sem sair, sem ver pessoas, sem comer uma pizza no domingo ou tomar um chope no sábado? Sem poder falar com as pessoas de quem você gosta, nem sequer por telefone? Sem ver ninguém, só uma vez por mês e só pai e mãe (no fim das contas, é o que importa: pai e mãe)? Tanta coisa que aconteceu. Tanta gente que nasceu, morreu... mas já falei disso aqui.
Amanhã eu conto mais.
sexta-feira, 19 de setembro de 2008
Quando a ficha cai
Liga minha mãe para contar que minha sobrinha tem déficit de atenção, tadinha. E também para pedir que eu vá visitar minha irmã lá na clínica em São Bernardo.
"Ela está deprimida e perguntou de você", justificou, tentando me convencer. Não precisa me convencer, basta pedir. Eu vou. Preferi não voltar das outras vezes porque, sei lá, não quis. Mas neste mês meus pais não vêm porque vão pegá-la pro "indulto" no dia 8 de outubro. Fica muito caro fazer duas viagens longas em curto período de tempo.
Então eu vou, ué.
Diz minha mãe que ela está pra baixo, mas que isso faz parte do processo de cura. Chega uma hora que a pessoa começa a se dar conta de todo o sofrimento que causou, de todos os problemas que criou, de todas as barbaridade por quais passou. Chega o momento em que a ficha, finalmente, cai. E cai pesada, machucando, gritando. E deve doer mesmo, porque doeu na gente. E pior do que os outros sofrerem é a gente sofrer: porque não tem como fugir, o problema está sempre na mente, martelando, nos martirizando.
"Demorou a cair a ficha, né? Até que enfim essa ficha caiu", respondi.
Vou lá na quarta. Levar uns cigarros. Dizer oi.
"Ela está deprimida e perguntou de você", justificou, tentando me convencer. Não precisa me convencer, basta pedir. Eu vou. Preferi não voltar das outras vezes porque, sei lá, não quis. Mas neste mês meus pais não vêm porque vão pegá-la pro "indulto" no dia 8 de outubro. Fica muito caro fazer duas viagens longas em curto período de tempo.
Então eu vou, ué.
Diz minha mãe que ela está pra baixo, mas que isso faz parte do processo de cura. Chega uma hora que a pessoa começa a se dar conta de todo o sofrimento que causou, de todos os problemas que criou, de todas as barbaridade por quais passou. Chega o momento em que a ficha, finalmente, cai. E cai pesada, machucando, gritando. E deve doer mesmo, porque doeu na gente. E pior do que os outros sofrerem é a gente sofrer: porque não tem como fugir, o problema está sempre na mente, martelando, nos martirizando.
"Demorou a cair a ficha, né? Até que enfim essa ficha caiu", respondi.
Vou lá na quarta. Levar uns cigarros. Dizer oi.
sexta-feira, 12 de setembro de 2008
Detalhes de uma história repetida
Título da notícia no site do Extra: "Adolescente de classe média desaparecida desde junho é encontrada morando em barraco com traficante" (Opa, parece que já vi isso acontecer)
"Policiais do 23º BPM (Leblon) encontraram na quinta-feira, escondida num barraco na Favela Chácara do Céu, no Leblon, uma jovem de 15 anos, moradora de um condomínio de classe média, no mesmo bairro. Desaparecida desde junho, Amanda (nome fictício) vivia no local com o namorado, que seria traficante de drogas." (15 anos? começa cada vez mais cedo)
"Não tem como eu ir à delegacia toda vez que ela sair de casa ", disse a mãe. Poucas horas depois, Amanda saiu de casa com uma mochila, sem dizer para onde estava indo. Ela falou que voltaria para casa, mas até agora, nada" (A minha irmã sumiu duas vezes. Da primeira, disse que tinha sido seqüestrada, fez aquele escarcéu todo, só acreditou quem é cego, surdo e tonto - e olha que teve gente assim. Da segunda, ela foi pra se drogar mesmo, admitiu)
"Não sei o que aconteceu com a minha filha. Só pode ter sido a influência de más companhias. Ou então uma paixão repentina por esse namorado, que eu nem sabia que existia." (Coitada dessa mãe, até cair a ficha demora)
"A menina, na época com 14 anos, dava chutes e socos na mãe e já teria feito uma ameaça de cortá-la usando uma gilete." (No caso da minha família, isso nunca aconteceu. Ela e meu pai já se atracaram várias vezes, ela louca, ele um misto de desespero e força. Eu sempre tive medo de ameaças mais graves, porque já soube que aconteceu mais de uma vez com outras pessoas)
"Policiais do 23º BPM (Leblon) encontraram na quinta-feira, escondida num barraco na Favela Chácara do Céu, no Leblon, uma jovem de 15 anos, moradora de um condomínio de classe média, no mesmo bairro. Desaparecida desde junho, Amanda (nome fictício) vivia no local com o namorado, que seria traficante de drogas." (15 anos? começa cada vez mais cedo)
"Não tem como eu ir à delegacia toda vez que ela sair de casa ", disse a mãe. Poucas horas depois, Amanda saiu de casa com uma mochila, sem dizer para onde estava indo. Ela falou que voltaria para casa, mas até agora, nada" (A minha irmã sumiu duas vezes. Da primeira, disse que tinha sido seqüestrada, fez aquele escarcéu todo, só acreditou quem é cego, surdo e tonto - e olha que teve gente assim. Da segunda, ela foi pra se drogar mesmo, admitiu)
"Não sei o que aconteceu com a minha filha. Só pode ter sido a influência de más companhias. Ou então uma paixão repentina por esse namorado, que eu nem sabia que existia." (Coitada dessa mãe, até cair a ficha demora)
"A menina, na época com 14 anos, dava chutes e socos na mãe e já teria feito uma ameaça de cortá-la usando uma gilete." (No caso da minha família, isso nunca aconteceu. Ela e meu pai já se atracaram várias vezes, ela louca, ele um misto de desespero e força. Eu sempre tive medo de ameaças mais graves, porque já soube que aconteceu mais de uma vez com outras pessoas)
Da última vez que ela sumiu, foi encontrada num barraco. Mas não era de traficante: tinha sido resgatada na rua por uma boa alma, que avisou a polícia.
quinta-feira, 11 de setembro de 2008
O que os olhos não vêem
Em algum momento de um dia desses, não sei o motivo, eu parei e lembrei do rosto da Gisela. E foi então que me dei conta de que não a vejo há um bom tempo. Às vezes é como se ela não existisse. É ruim isso, não me sinto bem me sentindo assim. Porque não fico feliz com ela estando longe por esse motivo. Longe dos olhos, mas não do coração, pra ser brega ao extremo.
Lembrei da voz, do jeito de falar, do jeito de sentar. Até da unha, que sempre achei diferente da minha. Tem bastante coisa diferente: o cabelo dela é liso de nascença e bem mais escuro que o meu. Os olhos têm outro formato, mais fechados, e são também mais escuros. As pernas são grossas, pernas de quem costumava ser atleta. A boca parece com a da minha mãe. Aliás, elas são muito parecidas fisicamente. Os dentes são grandes, bonitos. Ela tem mais peito e ainda está acima do peso. Ela é um pouco maior, resumindo, do que eu.
Tem gente que acha que eu sou a irmã mais nova dela. Mas isso é geral, não é só com ela. Não é que ela envelheceu, eu é que sempre tive cara de criança.
Em uma época eu não me achava parecida com ela, só alguns detalhes. Mas teve uma ou duas vezes que, olhando rapidamente pra uma fotografia, eu achei que ela fosse eu ou eu fosse ela. Tive que olhar de novo pra checar. Foi então que me dei conta de como somos parecidas fisicamente.
Minha mãe costuma dizer que se espanta ao ver como somos tão parecidas e tão diferentes ao mesmo tempo - na forma física. Diferentes mesmo somos no jeito de ser, nas escolhas que fizemos.
Eu queria que ela fosse mais parecida comigo nessa parte. Não sou perfeita. Mas os meus problemas são outros. E eu queria que fossem os mesmos tipos de problema dela.
Eu quase queria que ela fosse eu.
Lembrei da voz, do jeito de falar, do jeito de sentar. Até da unha, que sempre achei diferente da minha. Tem bastante coisa diferente: o cabelo dela é liso de nascença e bem mais escuro que o meu. Os olhos têm outro formato, mais fechados, e são também mais escuros. As pernas são grossas, pernas de quem costumava ser atleta. A boca parece com a da minha mãe. Aliás, elas são muito parecidas fisicamente. Os dentes são grandes, bonitos. Ela tem mais peito e ainda está acima do peso. Ela é um pouco maior, resumindo, do que eu.
Tem gente que acha que eu sou a irmã mais nova dela. Mas isso é geral, não é só com ela. Não é que ela envelheceu, eu é que sempre tive cara de criança.
Em uma época eu não me achava parecida com ela, só alguns detalhes. Mas teve uma ou duas vezes que, olhando rapidamente pra uma fotografia, eu achei que ela fosse eu ou eu fosse ela. Tive que olhar de novo pra checar. Foi então que me dei conta de como somos parecidas fisicamente.
Minha mãe costuma dizer que se espanta ao ver como somos tão parecidas e tão diferentes ao mesmo tempo - na forma física. Diferentes mesmo somos no jeito de ser, nas escolhas que fizemos.
Eu queria que ela fosse mais parecida comigo nessa parte. Não sou perfeita. Mas os meus problemas são outros. E eu queria que fossem os mesmos tipos de problema dela.
Eu quase queria que ela fosse eu.
terça-feira, 9 de setembro de 2008
Indulto
Pensando melhor, a saída da Gisela está mais para indulto (como o de Natal e Ano Novo que os presos recebem) do que para regime semi-aberto. Ela vai receber o indulto do feriado de Nossa Senhora. Ou do Dia das Crianças, porque cai no mesmo dia e até combina mais com ela. Só não pode aproveitar o benefício e fugir. Tomara que não.
Regime semi-aberto
No dia 8 de outubro a Gisela vai poder sair pela primeira vez em 5 meses da clínica onde está internada. Ela está entrando na fase de ressocialização, como eles lá chamam. Para mim, é como um regime de prisão semi-aberto: o sujeito sai para trabalhar durante o dia e volta para dormir na prisão à noite. No semi-aberto da clínica, ela vai poder ficar fora do dia 8 ao dia 12, acompanhada dos meus pais.
Eles decidiram ir para Belo Horizonte, com medo de levá-la de volta para Paranaíba. Lá mora o perigo, dizem. Para mim, o perigo está em qualquer lugar, porque o problema maior é a cabeça da gente, a mente, a vontade.
Até hoje estou tentando parar de fumar de uma vez por todas e ainda não tive sucesso. Quase nunca fumo. Mas ainda dou minhas escapadas.
O vício é potente. Qualquer tipo de vício. Viajei.
Voltando para os fatos concretos, eu andei pensando que durante essa ressocialização vai ser como ensinar algumas coisas de novo. Mostrar o mundo de novo. Imagina o tanto de acontecimento que ela perdeu? Tanta gente que morreu, nasceu, se mudou. Envelheceu. Cortou o cabelo. Foi contratado.
Fora o que terá que reaprender da própria vida, né. Ou até mesmo aprender, porque muita coisa ela nunca soube. Ou sabia errado. Pensava errado.
Como disse minha mãe logo que a Gisela foi internada desta última vez: ela está indo para longe e eu estou esperando ela voltar outra. Como se ela fosse nascer de novo. Estou grávida de novo.
E como dizia a Regina Duarte naquela eleição de 2002: eu tenho medo, muito medo.
Eles decidiram ir para Belo Horizonte, com medo de levá-la de volta para Paranaíba. Lá mora o perigo, dizem. Para mim, o perigo está em qualquer lugar, porque o problema maior é a cabeça da gente, a mente, a vontade.
Até hoje estou tentando parar de fumar de uma vez por todas e ainda não tive sucesso. Quase nunca fumo. Mas ainda dou minhas escapadas.
O vício é potente. Qualquer tipo de vício. Viajei.
Voltando para os fatos concretos, eu andei pensando que durante essa ressocialização vai ser como ensinar algumas coisas de novo. Mostrar o mundo de novo. Imagina o tanto de acontecimento que ela perdeu? Tanta gente que morreu, nasceu, se mudou. Envelheceu. Cortou o cabelo. Foi contratado.
Fora o que terá que reaprender da própria vida, né. Ou até mesmo aprender, porque muita coisa ela nunca soube. Ou sabia errado. Pensava errado.
Como disse minha mãe logo que a Gisela foi internada desta última vez: ela está indo para longe e eu estou esperando ela voltar outra. Como se ela fosse nascer de novo. Estou grávida de novo.
E como dizia a Regina Duarte naquela eleição de 2002: eu tenho medo, muito medo.
segunda-feira, 18 de agosto de 2008
Duas histórias
Primeira história
Ontem à noite, um domingo quente e vazio, parei para assistir "Fantástico" sozinha. Duas reportagens depois, começa esta: a do Charles da Flauta. A história de vida de um menino que chegou a ser considerado um gênio tocando flauta, mas que se perdeu no meio do caminho para o sucesso. Por que se perdeu? Por causa das drogas. Qual droga? O crack. Ele era uma gracinha tocando flauta, de família "probe" (como ele mesmo disse em reportagem de arquivo da Globo). Conseguiu até bolsa de estudos na Alemanha, mas nem sequer embarcou. Ficou por aqui mesmo, vivendo nas ruas, em "companhias erradas". Diz que está há 2 meses "limpo". Hoje, mais de uma década depois, ensina outras pessoas a tocar flauta.
Pensei comigo: 2 meses limpo... É pouco. Sem querer ser pessimista, mas é bem pouco. Tomara que ele consiga ficar para sempre limpo. Acabou a reportagem, mudei de canal.
Segunda história
Hoje, segundona braba, muito trabalho pela frente. Nada como um dia após o outro. Passo os olhos rapidamente pelas principais notícias dos sites e paro nesta: "De viciado em crack a colunista do New York Times", na Folha Online, no blog de Sérgio Dávila. Entrei para ler. É a história de vida de um jornalista (David Carr), hoje em dia muito bem conceituado no jornal americano, mas que já foi por vários anos viciado: em álcool, cocaína, heroína... e crack. Ele resolveu escrever um livro sobre sua própria história (Dávila chamou de egotrip), mas, para isso, precisou recorrer à memória alheia. A dele própria, depois de tanta droga, é falha. Ele não se lembra de tudo com detalhes. Muita gente não quis falar com ele, gente que provavelmente ele magoou no caminho destrutivo. Mas outras, para sua própria surpresa, aceitaram contar a ele a história de sua própria vida. Ele se recuperou. Não está só há 2 meses "limpo". Tem duas filhas, gêmeas, concebidas durante sua loucura.
Tirando a droga, que é a mesma nas duas histórias, Charles da Flauta e David Carr têm em comum outro "detalhe": o rosto marcado pelo vício.
O antes e o depois é triste.
Ontem à noite, um domingo quente e vazio, parei para assistir "Fantástico" sozinha. Duas reportagens depois, começa esta: a do Charles da Flauta. A história de vida de um menino que chegou a ser considerado um gênio tocando flauta, mas que se perdeu no meio do caminho para o sucesso. Por que se perdeu? Por causa das drogas. Qual droga? O crack. Ele era uma gracinha tocando flauta, de família "probe" (como ele mesmo disse em reportagem de arquivo da Globo). Conseguiu até bolsa de estudos na Alemanha, mas nem sequer embarcou. Ficou por aqui mesmo, vivendo nas ruas, em "companhias erradas". Diz que está há 2 meses "limpo". Hoje, mais de uma década depois, ensina outras pessoas a tocar flauta.
Pensei comigo: 2 meses limpo... É pouco. Sem querer ser pessimista, mas é bem pouco. Tomara que ele consiga ficar para sempre limpo. Acabou a reportagem, mudei de canal.
Segunda história
Hoje, segundona braba, muito trabalho pela frente. Nada como um dia após o outro. Passo os olhos rapidamente pelas principais notícias dos sites e paro nesta: "De viciado em crack a colunista do New York Times", na Folha Online, no blog de Sérgio Dávila. Entrei para ler. É a história de vida de um jornalista (David Carr), hoje em dia muito bem conceituado no jornal americano, mas que já foi por vários anos viciado: em álcool, cocaína, heroína... e crack. Ele resolveu escrever um livro sobre sua própria história (Dávila chamou de egotrip), mas, para isso, precisou recorrer à memória alheia. A dele própria, depois de tanta droga, é falha. Ele não se lembra de tudo com detalhes. Muita gente não quis falar com ele, gente que provavelmente ele magoou no caminho destrutivo. Mas outras, para sua própria surpresa, aceitaram contar a ele a história de sua própria vida. Ele se recuperou. Não está só há 2 meses "limpo". Tem duas filhas, gêmeas, concebidas durante sua loucura.
Tirando a droga, que é a mesma nas duas histórias, Charles da Flauta e David Carr têm em comum outro "detalhe": o rosto marcado pelo vício.
O antes e o depois é triste.
terça-feira, 29 de julho de 2008
Dia de visita
No mês passado eu visitei minha irmã, com meus pais, lá na clínica onde está internada há 3 meses. Na hora que ela me viu, ela chorou. Não achou que eu fosse lá.
Conversamos muito, nós 4, ela parece bem. Mais magra (6 kg a menos). Parece empenhada em sair do problema, lúcida com relação ao mal que causou e que ainda pode causar a si mesma. Foi bastante elogiada pelas responsáveis pela clínica. Estava maquiada, arrumada, de cabelo escovado. Nem parecia a Gisela.
O lugar é bonito, à beira da represa de Guarapiranga.
Quando foi dando a hora de ir embora, subimos para o lugar onde as outras internas estavam e lá ficamos, um tempinho. Observei as outras moças: de 14 a 60 anos. Do crack ao álcool. Coisa pesada, gente que está nessa há muito tempo e parece que nem tem como recuperar. Uma delas, morena dos olhos azuis enormes, tenta fugir sempre. Outra parece catatônica. E tinha uma senhora que acendia um cigarro atrás do outro e só olhava o resto acontecer.
Aquela cena, aquelas mulheres, algumas meio bobas, meio passadas, meio loucas. Aquilo me abalou. Eu olhei para aquele retrato e me dei conta de que ela, a minha irmã, pode ser daquele jeito pra sempre. Pode ser uma senhora de 60 anos, que acende um cigarro atrás do outro, presa numa clínica. Sem esperança de mudar.
Na hora de ir embora, quem chorou fui eu. Saí sem me despedir, sem olhar pra ela.
Não quero voltar mais lá.
Quero um outro retrato, dela aqui fora e bem.
Conversamos muito, nós 4, ela parece bem. Mais magra (6 kg a menos). Parece empenhada em sair do problema, lúcida com relação ao mal que causou e que ainda pode causar a si mesma. Foi bastante elogiada pelas responsáveis pela clínica. Estava maquiada, arrumada, de cabelo escovado. Nem parecia a Gisela.
O lugar é bonito, à beira da represa de Guarapiranga.
Quando foi dando a hora de ir embora, subimos para o lugar onde as outras internas estavam e lá ficamos, um tempinho. Observei as outras moças: de 14 a 60 anos. Do crack ao álcool. Coisa pesada, gente que está nessa há muito tempo e parece que nem tem como recuperar. Uma delas, morena dos olhos azuis enormes, tenta fugir sempre. Outra parece catatônica. E tinha uma senhora que acendia um cigarro atrás do outro e só olhava o resto acontecer.
Aquela cena, aquelas mulheres, algumas meio bobas, meio passadas, meio loucas. Aquilo me abalou. Eu olhei para aquele retrato e me dei conta de que ela, a minha irmã, pode ser daquele jeito pra sempre. Pode ser uma senhora de 60 anos, que acende um cigarro atrás do outro, presa numa clínica. Sem esperança de mudar.
Na hora de ir embora, quem chorou fui eu. Saí sem me despedir, sem olhar pra ela.
Não quero voltar mais lá.
Quero um outro retrato, dela aqui fora e bem.
Acorrentado
29/07/2008
Jovem fica 8 meses acorrentado para não comprar droga (do UOL)
Um jovem viciado em crack passou oito meses acorrentado na sua cama em São Cristóvão, na região metropolitana de Aracaju, para não comprar a droga. Foi ele, cujo nome é mantido em sigilo, que pediu para ser preso à cama, segundo seu pai, o pedreiro Aluísio da Silva, 45 anos. "Quando está em si, ele mesmo pede para ficar amarrado. Estou à toa, sem saber o que fazer e a quem pedir ajuda", disse. Ontem, o rapaz, de 17 anos, foi levado para o centro psiquiátrico da Prefeitura de Aracaju, no Hospital São José, para realizar tratamento. O Conselho Tutelar de São Cristóvão, que acompanha o caso, já havia encaminhado o rapaz para um abrigo, mas ele fugiu. Apesar da corrente grossa e cadeado grande, o rapaz conseguiu quebrar uma cama. Durante alucinação provocada pela droga, se escondeu num guarda-roupa. De acordo com a conselheira tutelar de São Cristóvão, Heloína de Azevedo, o caso deverá ser apurado pela Promotoria Pública. "Se ele está consumindo droga, tem algum adulto vendendo para ele. Já existe um processo aberto para investigar", informou.
Jovem fica 8 meses acorrentado para não comprar droga (do UOL)
Um jovem viciado em crack passou oito meses acorrentado na sua cama em São Cristóvão, na região metropolitana de Aracaju, para não comprar a droga. Foi ele, cujo nome é mantido em sigilo, que pediu para ser preso à cama, segundo seu pai, o pedreiro Aluísio da Silva, 45 anos. "Quando está em si, ele mesmo pede para ficar amarrado. Estou à toa, sem saber o que fazer e a quem pedir ajuda", disse. Ontem, o rapaz, de 17 anos, foi levado para o centro psiquiátrico da Prefeitura de Aracaju, no Hospital São José, para realizar tratamento. O Conselho Tutelar de São Cristóvão, que acompanha o caso, já havia encaminhado o rapaz para um abrigo, mas ele fugiu. Apesar da corrente grossa e cadeado grande, o rapaz conseguiu quebrar uma cama. Durante alucinação provocada pela droga, se escondeu num guarda-roupa. De acordo com a conselheira tutelar de São Cristóvão, Heloína de Azevedo, o caso deverá ser apurado pela Promotoria Pública. "Se ele está consumindo droga, tem algum adulto vendendo para ele. Já existe um processo aberto para investigar", informou.
quarta-feira, 25 de junho de 2008
Inferno astral
Eu voltei. Fiquei fora daqui uns tempos, passando pelo meu inferno astral atrasado: neste ano, ele baixou lá em casa no mês posterior ao meu aniversário, 2/6. Ou seja, ainda estou experimentando dias chatos, ruins, nada inspiradores. E com motivos bem perversos, não é nada no plano astral. É na realidade mesmo.
Mal tenho ouvido falar de minha irmã. Ela me ligou para dar os parabéns, só. Neste sábado é dia de visita, mas eu tenho compromisso. Vou me dedicar a outras pessoas, que precisam de mim, para ver se boto um colorido nesses dias sem graça.
Mal tenho ouvido falar de minha irmã. Ela me ligou para dar os parabéns, só. Neste sábado é dia de visita, mas eu tenho compromisso. Vou me dedicar a outras pessoas, que precisam de mim, para ver se boto um colorido nesses dias sem graça.
Tenho dó
Mãe acorrenta filho pelo pescoço em Bauru (SP) para evitar que ele use drogas
"Uma comerciante de Bauru (329 km de São Paulo) é suspeita de manter o filho acorrentado pelo pescoço para evitar que ele use drogas. Segundo a Polícia Civil ela contava com o auxílio do marido, padrasto do jovem"
Esse tipo de notícia tem se tornado recorrente na mídia brasileira. Sinal ruim.
"Uma comerciante de Bauru (329 km de São Paulo) é suspeita de manter o filho acorrentado pelo pescoço para evitar que ele use drogas. Segundo a Polícia Civil ela contava com o auxílio do marido, padrasto do jovem"
Esse tipo de notícia tem se tornado recorrente na mídia brasileira. Sinal ruim.
sexta-feira, 30 de maio de 2008
Tempo de comemorar
Segunda, dia 2/6, é meu aniversário. 28 anos. Nova ainda, bem nova. Muitos projetos, principalmente para daqui até o fim deste ano. O fim do inferno astral está chegando. Apesar de que, neste ano, eu acho que nem tive inferno astral. Passei meio batido pelo mês anterior ao meu aniversário. Tirando uma afta gigante dentro da boca, resultado de três mordidas consecutivas no mesmo lugar, e um leve tremor na pálpebra superior do olho direito, que só ataca quando eu estou no jornal, está tudo bem. Tuuuudo bem. Estou em paz, esperando do dia de dizer que tenho 28 anos. Vinte e muitos anos, né. Faltam só 2 para 30.
A dra. Marina disse que tenho motivos de sobra para comemorar.
Mas eu não me canso de lembrar que foi na época do meu último aniversário, mais precisamente 5 dias depois, que a minha irmã teve a primeira grande crise por causa do crack. Foi quando ela foi levada amarrada pelos bombeiros, para a primeira internação. Foi durante minha festa de aniversário (minha e da minha mãe, que faz 52 amanhã, dia 31). Quando eu tive que pedir para as pessoas irem embora da minha casa, porque a situação era feia. Foi quando meu irmão e meu pai saíram correndo atrás dela, que fugia para se drogar, e a trouxeram arrastada pelos braços, rua abaixo. Ela se debatendo, tentando se soltar, até que meu irmão lhe deu dois chutes e a derrubou no chão. Ela de roupa nova, com minhas sandálias rasteiras. E eu saí correndo em direção a eles, chorando, pedindo para ele parar de chutá-la.
Foi horrível. Inesquecível, no pior sentido que essa palavra pode ter. Porque essa imagem fica passando pela minha cabeça por esses dias, época de completar um ano do acontecimento. Época de eu fazer 28 anos.
Feliz aniversário para mim. Na hora de assoprar as velinhas, eu vou pedir para que, daqui pra frente, tudo seja diferente.
A dra. Marina disse que tenho motivos de sobra para comemorar.
Mas eu não me canso de lembrar que foi na época do meu último aniversário, mais precisamente 5 dias depois, que a minha irmã teve a primeira grande crise por causa do crack. Foi quando ela foi levada amarrada pelos bombeiros, para a primeira internação. Foi durante minha festa de aniversário (minha e da minha mãe, que faz 52 amanhã, dia 31). Quando eu tive que pedir para as pessoas irem embora da minha casa, porque a situação era feia. Foi quando meu irmão e meu pai saíram correndo atrás dela, que fugia para se drogar, e a trouxeram arrastada pelos braços, rua abaixo. Ela se debatendo, tentando se soltar, até que meu irmão lhe deu dois chutes e a derrubou no chão. Ela de roupa nova, com minhas sandálias rasteiras. E eu saí correndo em direção a eles, chorando, pedindo para ele parar de chutá-la.
Foi horrível. Inesquecível, no pior sentido que essa palavra pode ter. Porque essa imagem fica passando pela minha cabeça por esses dias, época de completar um ano do acontecimento. Época de eu fazer 28 anos.
Feliz aniversário para mim. Na hora de assoprar as velinhas, eu vou pedir para que, daqui pra frente, tudo seja diferente.
domingo, 25 de maio de 2008
P.S.
P.S. do fim de semana: ela emagreceu 4 quilos, chorou na hora da despedida e acudiu uma outra interna que "recebeu" a "pomba-gira" lá na clínica.
Tem chão, ainda tem chão pela frente.
Tem chão, ainda tem chão pela frente.
Chiminiminiu
Às vezes me bate uma saudade do nada, de tudo, de todos, do que nunca foi nem nunca vai ser. Uma melancolia. Uma tristeza. Queria voltar pro meu casulo, ficar lá quietinha, quentinha, de olhos fechados, esperando a tormenta passar.
Minha mãe diz que está grávida e que, daqui a 8 meses, vai nascer o bebê de novo.
Eu estou uma barata tonta sentimental.
Sinto tudo ao mesmo tempo, sem saber a qual sensação me apegar.
Bate uma raiva, depois vira tristeza. E eu boto tudo pra fora chorando por qualquer coisa, vendo anúncio em jornal, vivendo o drama dos outros.
Como se o meu próprio drama já não fosse o suficiente.
A sorte do ser humano é que passa. Tudo passa. Ou pelo menos é amenizado com o tempo.
Amanhã vai ser outro dia, amanhã vai ser outro dia...
Minha mãe diz que está grávida e que, daqui a 8 meses, vai nascer o bebê de novo.
Eu estou uma barata tonta sentimental.
Sinto tudo ao mesmo tempo, sem saber a qual sensação me apegar.
Bate uma raiva, depois vira tristeza. E eu boto tudo pra fora chorando por qualquer coisa, vendo anúncio em jornal, vivendo o drama dos outros.
Como se o meu próprio drama já não fosse o suficiente.
A sorte do ser humano é que passa. Tudo passa. Ou pelo menos é amenizado com o tempo.
Amanhã vai ser outro dia, amanhã vai ser outro dia...
sexta-feira, 16 de maio de 2008
Puxa vida
É, amigo, a vida não é justa não. É bastante injusta, pra falar a verdade. E isso é um clichê... mas a vida é cheia de clichês, já que eles só se tornaram clichês porque foram usados vezes demais para expressar algum sentimento, ou situação.
É foda. Muito foda. Não é fácil não. É uma dureza.
Minha irmã está internada por conta do vício em droga. Como todos já sabem.
A irmã da minha melhor amiga está enfrentando o segundo câncer em menos de 2 anos (acabei de saber). Ela só tem 30 anos. Dá pra acreditar? Consegue perceber o quanto isso é triste? Por que eu digo que a vida é injusta demais da conta?
Eu sinto uma vontade de chorar muito grande.
É foda. Muito foda. Não é fácil não. É uma dureza.
Minha irmã está internada por conta do vício em droga. Como todos já sabem.
A irmã da minha melhor amiga está enfrentando o segundo câncer em menos de 2 anos (acabei de saber). Ela só tem 30 anos. Dá pra acreditar? Consegue perceber o quanto isso é triste? Por que eu digo que a vida é injusta demais da conta?
Eu sinto uma vontade de chorar muito grande.
quinta-feira, 15 de maio de 2008
Papel passado
Minha mãe estava me contando ontem que a Gisela escreveu uma carta, endereçada ao meu pai, que chegou ontem. No papel ela diz que está arrependida de ter jogado tudo o que tinha fora, de ter perdido a oportunidade de recomeçar. Afirmou estar com vergonha do que fez, que se sente mal por saber que meu pai e minha mãe estão sofrendo tanto por ela. Que ela sabe que minha mãe passou a tomar remédios para dormir e para pressão por causa dela, unica e exclusivamente. Disse que ficou feliz ao saber que meu irmão ligou para ela lá na clínica, para saber do resultado do jogo do Palmeiras (ele não pôde conversar com ela, que está numa espécie de quarentena até o dia 26). Disse sentir mais saudades do meu pai e da Ana Vitória.
Como minha própria mãe disse, no papel ela diz de tudo mesmo. Promete mudar, se mostra arrependida. Na realidade é que são elas...
Apesar disso, eu ainda acredito que ela pode se livrar do vício. Porque outras pessoas conseguiram, pode ser que com ela dê certo também.
Vamos fazê-la assinar essa carta e mandar registrar em cartório. De repente um documento legal segura a menina no dia a dia.
"E meu pai? O que achou da carta?", perguntei. "Ele não falou nada, mas deve ter chorado um monte. Eu já estou escaldada", respondeu minha mãe. "Cadê ele agora?", quis saber. "Tá lá trabalhando no computador. Deixa ele quieto, pelo menos está se distraindo."
Minha cabeça saiu de férias, finalmente.
Como minha própria mãe disse, no papel ela diz de tudo mesmo. Promete mudar, se mostra arrependida. Na realidade é que são elas...
Apesar disso, eu ainda acredito que ela pode se livrar do vício. Porque outras pessoas conseguiram, pode ser que com ela dê certo também.
Vamos fazê-la assinar essa carta e mandar registrar em cartório. De repente um documento legal segura a menina no dia a dia.
"E meu pai? O que achou da carta?", perguntei. "Ele não falou nada, mas deve ter chorado um monte. Eu já estou escaldada", respondeu minha mãe. "Cadê ele agora?", quis saber. "Tá lá trabalhando no computador. Deixa ele quieto, pelo menos está se distraindo."
Minha cabeça saiu de férias, finalmente.
quarta-feira, 14 de maio de 2008
Os efeitos do crack
Está aqui o pé da reportagem publicada no post anterior. Na minha opinião, esta parte merece destaque. Parece mais a descrição do que já vi dentro da minha própria casa.
Segundo estudiosos, o efeito do crack é muito mais rápido e mais forte do que o da cocaína cheirada ou injetada. Ao ser fumado, ele atinge o cérebro em cerca de oito segundos, após passar pelos pulmões e pelo coração. Vicia com apenas três ou quatro doses. O efeito dura de um a dois minutos.
O crack produz insônia, falta de apetite e hiperatividade. Seu uso prolongado causa sensação de perseguição e irritabilidade, o que leva o usuário a agir de forma violenta. Além de distúrbios cardiovasculares, a droga causa danos permanentes no cérebro.
Segundo estudiosos, o efeito do crack é muito mais rápido e mais forte do que o da cocaína cheirada ou injetada. Ao ser fumado, ele atinge o cérebro em cerca de oito segundos, após passar pelos pulmões e pelo coração. Vicia com apenas três ou quatro doses. O efeito dura de um a dois minutos.
O crack produz insônia, falta de apetite e hiperatividade. Seu uso prolongado causa sensação de perseguição e irritabilidade, o que leva o usuário a agir de forma violenta. Além de distúrbios cardiovasculares, a droga causa danos permanentes no cérebro.
O caminho das pedras
Reproduzo aqui íntegra de reportagem publicada hoje no G1, sobre o crack. Leia, se quiser, e entenda do que eu estou falando. É bem interessante.
A polícia do Rio admite pela primeira vez que o crack já está à venda em todas as boca-de-fumo das favelas cariocas e inicia investigação para descobrir o caminho das pedras. A apreensão, na terça-feira, de 2.378 pacotes em uma favela do subúrbio reforçou a hipótese do uso crescente da droga e a presença maciça dessa substância no mercado do tráfico.
"Isso passou a ser uma grande preocupação da polícia. Essa droga é tão alucinante, deixa o sujeito numa fissura tão grande, que ele é capaz de fazer qualquer coisa. O viciado é capaz de começar a roubar para repetir a dose", afirma o delegado Marcus Vinícius Braga, titular da Delegacia de Combate às Drogas (Dcod).
"Nossa atenção está voltada para a rota do crack. Sabemos que, em geral, vem de São Paulo, mas precisamos descobrir se existem outras fontes ou se estão produzindo aqui mesmo", acrescenta. Segundo o policial, a oferta de pedras de crack, por ser mais barata do que as outras drogas, é maior em grandes favelas do subúrbio, como Jacarezinho, Alemão e Mangueira, e em áreas de bolsões de miséria. "Mas já têm muitos jovens de classe média usando. Talvez, pela redução da oferta de outras drogas."
De acordo com o delegado, o crack já representa a metade da quantidade de drogas vendida nas bocas-de-fumo do Rio. "O pior é que hoje é oferecido em favelas de qualquer facção." Foram os próprios traficantes que decidiram quando o crack passaria a fazer parte do mercado das drogas. Até pouco mais de cinco anos atrás, os criminosos não queriam vender a substância por ser barata e viciar muito rápido, o que poderia gerar acúmulo de dívidas do usuário. Depois de um acerto entre a maior facção criminosa fluminense e traficantes de São Paulo, as pedras começaram a chegar às bocas.
"É uma coisa preocupante. O efeito sobre o cérebro é devastador. O crack é o lixo da cocaína. As autoridades precisam adotar uma política de prevenção séria antes que isso se torne uma calamidade como se viu em Belo Horizonte, na década de 90, e em São Paulo", alerta a pesquisadora Alba Zaluar, professora titular do curso de antropologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), que já publicou vários livros, como "Cidadãos Não Vão ao Paraíso", "A Máquina e a Revolta", "Da Revolta ao Crime S.A.", "Drogas e Cidadania" e "Integração Perversa -Pobreza e Tráfico de Drogas".
Para o médico psicofarmacologista Elisaldo Carlini, diretor do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid), o aumento do consumo desse tipo de droga "é um indicador social dos mais desfavoráveis e perversos", já que afeta pessoas que "não vêem um horizonte na vida, que não encontram opções". "E a gente não vê nenhum preparo do estado para conter isso", lamenta.
O crack e a cocaína são feitos a partir da pasta-base de coca. O primeiro, que é um produto grosseiro, é mais barato. A pasta-base é obtida pela mistura das folhas esmagadas com querosene e ácido sulfúrico diluído. Para ser transformada em pó, passa por outras etapas de produção, nas quais são usados o éter, a acetona e o ácido clorídrico. A fabricação da pedra consiste na mistura da pasta ao bicarbonato de sódio, resultando no crack, cujo nome é uma referência ao barulho que as pedras fazem ao serem queimadas em cachimbos improvisados.
A polícia do Rio admite pela primeira vez que o crack já está à venda em todas as boca-de-fumo das favelas cariocas e inicia investigação para descobrir o caminho das pedras. A apreensão, na terça-feira, de 2.378 pacotes em uma favela do subúrbio reforçou a hipótese do uso crescente da droga e a presença maciça dessa substância no mercado do tráfico.
"Isso passou a ser uma grande preocupação da polícia. Essa droga é tão alucinante, deixa o sujeito numa fissura tão grande, que ele é capaz de fazer qualquer coisa. O viciado é capaz de começar a roubar para repetir a dose", afirma o delegado Marcus Vinícius Braga, titular da Delegacia de Combate às Drogas (Dcod).
"Nossa atenção está voltada para a rota do crack. Sabemos que, em geral, vem de São Paulo, mas precisamos descobrir se existem outras fontes ou se estão produzindo aqui mesmo", acrescenta. Segundo o policial, a oferta de pedras de crack, por ser mais barata do que as outras drogas, é maior em grandes favelas do subúrbio, como Jacarezinho, Alemão e Mangueira, e em áreas de bolsões de miséria. "Mas já têm muitos jovens de classe média usando. Talvez, pela redução da oferta de outras drogas."
De acordo com o delegado, o crack já representa a metade da quantidade de drogas vendida nas bocas-de-fumo do Rio. "O pior é que hoje é oferecido em favelas de qualquer facção." Foram os próprios traficantes que decidiram quando o crack passaria a fazer parte do mercado das drogas. Até pouco mais de cinco anos atrás, os criminosos não queriam vender a substância por ser barata e viciar muito rápido, o que poderia gerar acúmulo de dívidas do usuário. Depois de um acerto entre a maior facção criminosa fluminense e traficantes de São Paulo, as pedras começaram a chegar às bocas.
"É uma coisa preocupante. O efeito sobre o cérebro é devastador. O crack é o lixo da cocaína. As autoridades precisam adotar uma política de prevenção séria antes que isso se torne uma calamidade como se viu em Belo Horizonte, na década de 90, e em São Paulo", alerta a pesquisadora Alba Zaluar, professora titular do curso de antropologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), que já publicou vários livros, como "Cidadãos Não Vão ao Paraíso", "A Máquina e a Revolta", "Da Revolta ao Crime S.A.", "Drogas e Cidadania" e "Integração Perversa -Pobreza e Tráfico de Drogas".
Para o médico psicofarmacologista Elisaldo Carlini, diretor do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid), o aumento do consumo desse tipo de droga "é um indicador social dos mais desfavoráveis e perversos", já que afeta pessoas que "não vêem um horizonte na vida, que não encontram opções". "E a gente não vê nenhum preparo do estado para conter isso", lamenta.
O crack e a cocaína são feitos a partir da pasta-base de coca. O primeiro, que é um produto grosseiro, é mais barato. A pasta-base é obtida pela mistura das folhas esmagadas com querosene e ácido sulfúrico diluído. Para ser transformada em pó, passa por outras etapas de produção, nas quais são usados o éter, a acetona e o ácido clorídrico. A fabricação da pedra consiste na mistura da pasta ao bicarbonato de sódio, resultando no crack, cujo nome é uma referência ao barulho que as pedras fazem ao serem queimadas em cachimbos improvisados.
quarta-feira, 7 de maio de 2008
Ato falho?
Mandei o post "Cria" para meu namorado ler e ele notou que, em dois momentos, eu troco a palavra escola por escolha. Será um ato falho meu? Talvez sim. Ou talvez seja só um erro de digitação, simples. Em todo caso, não vou corrigir. O texto vai ficar como está.
Adendo
Só para acrescentar dados ao post anterior: eu não acho que tudo que ele, meu pai, tenha feito por ela todos esses anos tenha contribuído para a entrada no beco escuro do crack. Como disse a ele ontem e vivo repetindo, parte da formação da Gisela veio deles (pai e mãe), mas parte também veio de fora. De 3 filhos, 1 deu esse problema. Meu irmão raspou na droga, na adolescência, mas saiu sem muito trabalho. Só ela que fincou o pé na desgraça.
Não é culpa deles. Nas conversas sobre isso, a gente se repete muito, sabe. Para nos confortarmos, talvez. Ou porque falar em voz alta dá a sensação de que vai acontecer com certeza. Não é culpa do meu pai e da minha mãe. Eu repito: não é.
Não é culpa deles. Nas conversas sobre isso, a gente se repete muito, sabe. Para nos confortarmos, talvez. Ou porque falar em voz alta dá a sensação de que vai acontecer com certeza. Não é culpa do meu pai e da minha mãe. Eu repito: não é.
Cria
De madrugada, nas minhas noites de insônia (que são quase todas, ultimamente), é quando me aparecem as melhores idéias. Os pensamentos mais claros que tenho. Dá vontade de levantar e escrever num papel, porque na manhã seguinte eu costumo esquecer o que passou pela cabeça na noite anterior. Parece coisa de sonho, que a gente tem e depois apaga. Só lembra de uns detalhes. Pesadelo, que podia esquecer, fica marcado na memória.
Pois bem, fiz um esforço grande de concentração hoje para não deixar para trás o que pensei nesta madrugada. Sobre minha irmã, claro. Assunto preferencial do blog. Tento entender por que meu pai demorou tanto a perceber a gravidade da situação dela. Compreendi, finalmente.
A relação dele com a Gisela foi especial, segundo as minhas lembranças de infância e de irmã 7 anos mais velha. Quando ela era pequena e começou a estudar, uns 3 anos de idade, era ele que arrumava ela pra escolha, penteava o cabelo atrás (que vivia arrepiado, apesar de muito liso), preparava a lancheira com o suco de uva - sempre de uva, o preferido dela quando criança.
Durante as viagens para o Rio, era ele quem ficava com ela no parquinho de diversões, enquanto o resto da família andava pelo shopping.
Ela é a caçula de 3 filhos. E nasceu 7 anos depois de mim e 6 depois de meu irmão. Era a bonequinha, a bebezinha linda, o neném da casa. Eu e meu irmão já estávamos na escola, crescidos em parte, tínhamos nossos amiguinhos. Crescemos juntos até ela nascer. Estávamos em outra fase.
Ela nasceu numa época em que meus pais podiam dar melhores roupas e brinquedos. Eles cresceram profissionalmente, enquanto eu e meu irmão crescíamos também.
Quando a gente ia pra escolha, cada dia um ia no banco da frente, para não dar briga. Ela entrava na divisão, mesmo sendo tão nova e nem podendo sentar na frente por causa da idade.
Daí, seguindo essa linha do tempo meio mal contada, dá para entender o choque que ele, meu pai, levou quando deu de cara com a Gisela, a filhinha mais nova dele, vestida feito um trapo, com roupas que não eram dela, sem tomar banho havia três dias. Sem comer. Drogada.
Foi um baque. E, se isso não for o fundo do poço (como ele tem repetido para mim e, com certeza, para si mesmo), não sei o que é. Nem em que profundidade vai parar.
"Eu fiquei chocado dessa vez", diz ele pra mim. "Mas demorou pra você se chocar", respondo. "É que eu to acostumado a ver muita coisa ruim na vida", explica ele. "Ela chegou no fundo do poço", repete.
Pois bem, fiz um esforço grande de concentração hoje para não deixar para trás o que pensei nesta madrugada. Sobre minha irmã, claro. Assunto preferencial do blog. Tento entender por que meu pai demorou tanto a perceber a gravidade da situação dela. Compreendi, finalmente.
A relação dele com a Gisela foi especial, segundo as minhas lembranças de infância e de irmã 7 anos mais velha. Quando ela era pequena e começou a estudar, uns 3 anos de idade, era ele que arrumava ela pra escolha, penteava o cabelo atrás (que vivia arrepiado, apesar de muito liso), preparava a lancheira com o suco de uva - sempre de uva, o preferido dela quando criança.
Durante as viagens para o Rio, era ele quem ficava com ela no parquinho de diversões, enquanto o resto da família andava pelo shopping.
Ela é a caçula de 3 filhos. E nasceu 7 anos depois de mim e 6 depois de meu irmão. Era a bonequinha, a bebezinha linda, o neném da casa. Eu e meu irmão já estávamos na escola, crescidos em parte, tínhamos nossos amiguinhos. Crescemos juntos até ela nascer. Estávamos em outra fase.
Ela nasceu numa época em que meus pais podiam dar melhores roupas e brinquedos. Eles cresceram profissionalmente, enquanto eu e meu irmão crescíamos também.
Quando a gente ia pra escolha, cada dia um ia no banco da frente, para não dar briga. Ela entrava na divisão, mesmo sendo tão nova e nem podendo sentar na frente por causa da idade.
Daí, seguindo essa linha do tempo meio mal contada, dá para entender o choque que ele, meu pai, levou quando deu de cara com a Gisela, a filhinha mais nova dele, vestida feito um trapo, com roupas que não eram dela, sem tomar banho havia três dias. Sem comer. Drogada.
Foi um baque. E, se isso não for o fundo do poço (como ele tem repetido para mim e, com certeza, para si mesmo), não sei o que é. Nem em que profundidade vai parar.
"Eu fiquei chocado dessa vez", diz ele pra mim. "Mas demorou pra você se chocar", respondo. "É que eu to acostumado a ver muita coisa ruim na vida", explica ele. "Ela chegou no fundo do poço", repete.
segunda-feira, 5 de maio de 2008
Diário de um adolescente
Hoje revi aquele filme antigo com o Leonardo DiCaprio, Diário de um Adolescente. É chocante toda vez que revejo. Percebo cada vez mais semelhanças entre a história do personagem, real, e a vida da Gisela - que além de real é muito presente na minha própria vida.
É incrível como a pessoa se perde no meio da droga, perde completamente o controle. E acha - melhor: tem certeza - de que isso nunca vai acontecer com ela. Porque com ela é diferente, ela tem mais autocontrole, pode consumir a droga só de vez em quando e tá tudo bem. Não é assim, quase nunca é. Mas vai lá dizer isso...
No filme você enxerga a deterioração do usuário, como ele vai se degradando ao longo do uso da droga. As barbaridades que comete, as pessoas que agride. A sensação de que é Deus, superpotente, super-homens e mulheres.
Ele conseguiu abandonar o vício. Existem muitos exemplos vivos de pessoas que se recuperam. Meu peito se enche de esperança. A fé fica inabalável.
É incrível como a pessoa se perde no meio da droga, perde completamente o controle. E acha - melhor: tem certeza - de que isso nunca vai acontecer com ela. Porque com ela é diferente, ela tem mais autocontrole, pode consumir a droga só de vez em quando e tá tudo bem. Não é assim, quase nunca é. Mas vai lá dizer isso...
No filme você enxerga a deterioração do usuário, como ele vai se degradando ao longo do uso da droga. As barbaridades que comete, as pessoas que agride. A sensação de que é Deus, superpotente, super-homens e mulheres.
Ele conseguiu abandonar o vício. Existem muitos exemplos vivos de pessoas que se recuperam. Meu peito se enche de esperança. A fé fica inabalável.
segunda-feira, 28 de abril de 2008
Traste humano
Depois de uma crise nervosa e de ansiedade, de duas noites mal dormidas, de ficar dois sem comer praticamente nada... acharam a menina. Estava dormindo em um barraco de um informante da polícia. Tinha vestido as roupas e o sapato de grife pra comprar droga. Foi pra "boca" de mototaxi (porque até o viciado que estava com ela teve medo de ir até lá).
A descrição do meu pai quando a viu: um traste humano. Vestida com uma calça curta e 3 vezes menor que o seu tamanho, um moletom 2 vezes maior do que ela e outro moleton amarrado na cintura. Além de um chinelo Havaianas furado na sola. De cabelo sujo. Fedendo muito.
O fim do mundo. No fundo do poço.
Um traste humano. Até daqui 8 meses.
A descrição do meu pai quando a viu: um traste humano. Vestida com uma calça curta e 3 vezes menor que o seu tamanho, um moletom 2 vezes maior do que ela e outro moleton amarrado na cintura. Além de um chinelo Havaianas furado na sola. De cabelo sujo. Fedendo muito.
O fim do mundo. No fundo do poço.
Um traste humano. Até daqui 8 meses.
sexta-feira, 25 de abril de 2008
48 horas
As primeiras 48 horas já se foram, mas ainda assim a polícia pediu para esperar mais um pouco, para ainda não prestar queixa de desaparecimento. Diz o delegado, que parece que é ex-viciado (pois é, isso existe), que de 48 a 72 horas os drogaditos voltam para casa. Ou porque acabou o dinheiro ou porque se empanturraram da droga. Pois é, isso também acontece. Será que é como chocolate: chega uma hora que enjoa?
Só sei que, de coitadinha viciada, que todos tinham dó e tentavam ajudar por compaixão, ela passou a louca e inconseqüente, que merece uma surra. Uma bela duma surra. Eu só não penso nela com mais raiva porque meu instinto familiar, de irmã, me impede. Eu tenho medo de ela não aparecer nunca mais.
Mas, olha, se aparecer (tem que aparecer), ela vai se ver comigo. Nem que seja por email.
Porque eu não quero nem vê-la por enquanto.
Só sei que, de coitadinha viciada, que todos tinham dó e tentavam ajudar por compaixão, ela passou a louca e inconseqüente, que merece uma surra. Uma bela duma surra. Eu só não penso nela com mais raiva porque meu instinto familiar, de irmã, me impede. Eu tenho medo de ela não aparecer nunca mais.
Mas, olha, se aparecer (tem que aparecer), ela vai se ver comigo. Nem que seja por email.
Porque eu não quero nem vê-la por enquanto.
quinta-feira, 24 de abril de 2008
Seria cômico...
... se não fosse trágico.
"Um comerciante da cidade de Pindamonhangaba, a 145 km da capital paulista, morreu nesta quarta-feira (23) após passar veneno de sapo no próprio corpo, de acordo com policiais do 5º Batalhão do Interior. Segundo informações dos investigadores que acompanham o caso, o homem, de 52 anos, foi orientado por um curandeiro da cidade. Ele teria dito que esse procedimento afastaria o filho da vítima das drogas." (site G1, notícia publicada hoje)
A que ponto chega o desespero das pessoas.
Eu já fui até em pai-de-santo.
"Um comerciante da cidade de Pindamonhangaba, a 145 km da capital paulista, morreu nesta quarta-feira (23) após passar veneno de sapo no próprio corpo, de acordo com policiais do 5º Batalhão do Interior. Segundo informações dos investigadores que acompanham o caso, o homem, de 52 anos, foi orientado por um curandeiro da cidade. Ele teria dito que esse procedimento afastaria o filho da vítima das drogas." (site G1, notícia publicada hoje)
A que ponto chega o desespero das pessoas.
Eu já fui até em pai-de-santo.
Não é culpa sua
Não é culpa de ninguém. Vocês foram bons pais.
De três, um deu errado... e só até agora. De repente, daqui pra frente, muda.
Se bem que fica difícil ter esperança - em vez de raiva -, já que ela sumiu mais uma vez. Hoje é quinta, 14h. Ela desapareceu terça, 22h. Com um menino que vive nas mesmas condições que ela, com a diferença de que a família do coitado já desistiu dele. Entregou pra Deus, como dizem. Talvez essa deveria ser a atitude dos meus pais: deixar sem amparo, para que ela colha os frutos podres que plantou.
Ninguém além dela é responsável pela situação atual. Ninguém, além dela própria, cavou essa cova, esse buraco. Causou esse tornado, carregando todo mundo junto. Só que não dá mais para ser levado pela loucura dela. Não dá mais para sentir tanta culpa.
É preciso se amarrar em algo bem pesado, pra manter os pés no chão e a cabeça boa. E deixar que ela se estabaque no chão sozinha.
Porque vocês foram bons pais. Olhem para mim. Para o Henrique. Nem tudo é horror.
De três, um deu errado... e só até agora. De repente, daqui pra frente, muda.
Se bem que fica difícil ter esperança - em vez de raiva -, já que ela sumiu mais uma vez. Hoje é quinta, 14h. Ela desapareceu terça, 22h. Com um menino que vive nas mesmas condições que ela, com a diferença de que a família do coitado já desistiu dele. Entregou pra Deus, como dizem. Talvez essa deveria ser a atitude dos meus pais: deixar sem amparo, para que ela colha os frutos podres que plantou.
Ninguém além dela é responsável pela situação atual. Ninguém, além dela própria, cavou essa cova, esse buraco. Causou esse tornado, carregando todo mundo junto. Só que não dá mais para ser levado pela loucura dela. Não dá mais para sentir tanta culpa.
É preciso se amarrar em algo bem pesado, pra manter os pés no chão e a cabeça boa. E deixar que ela se estabaque no chão sozinha.
Porque vocês foram bons pais. Olhem para mim. Para o Henrique. Nem tudo é horror.
quarta-feira, 23 de abril de 2008
É preciso perdoar
No meio das notícias sobre o assassinato horrendo da menina Isabella (com dois 'L's), uma frase me chamou a atenção. Primeiro por sua natureza superior, por assim dizer. Segundo por ser a mais pura verdade.
"O perdão é, na verdade, para a gente se livrar do ódio. Se você
não perdoa e fica com ódio, com o tempo você é que está condenado, fica
doente, passa as noites sem dormir” (Masataka Ota, pai de um menino de 7 anos que foi seqüestrado e morto em 1997)
E não é assim mesmo? Pensa bem: se não perdoamos as pessoas pelo mal que nos fizeram, sentimos uma raiva muito grande para sempre. Mas é fácil? Não, não é fácil perdoar. Nem um pouco. Por isso que, dizem por aí, perdoar é divino. E talvez por isso seja tão difícil perdoar, por sermos nós simples humanos, cheios de defeitos, de dores indescritíveis, de mágoas, de medos. E rodeados por pessoas, em alguns momentos, piores do que nós mesmos.
Mas me fez pensar. Muito porque a frase pode ser aplicada a todos os problemas enfrentados por nós (minha família) e causados pela minha irmã e também porque eu vivo, sozinha, meus próprios dramas diários, que necessitam muito de perdão e compreensão.
Em nome de algo maior. Em nome da minha paz de espírito.
Eu preciso perdoar. Deixar para trás. Olhar para frente. E tentar mais uma vez.
"O perdão é, na verdade, para a gente se livrar do ódio. Se você
não perdoa e fica com ódio, com o tempo você é que está condenado, fica
doente, passa as noites sem dormir” (Masataka Ota, pai de um menino de 7 anos que foi seqüestrado e morto em 1997)
E não é assim mesmo? Pensa bem: se não perdoamos as pessoas pelo mal que nos fizeram, sentimos uma raiva muito grande para sempre. Mas é fácil? Não, não é fácil perdoar. Nem um pouco. Por isso que, dizem por aí, perdoar é divino. E talvez por isso seja tão difícil perdoar, por sermos nós simples humanos, cheios de defeitos, de dores indescritíveis, de mágoas, de medos. E rodeados por pessoas, em alguns momentos, piores do que nós mesmos.
Mas me fez pensar. Muito porque a frase pode ser aplicada a todos os problemas enfrentados por nós (minha família) e causados pela minha irmã e também porque eu vivo, sozinha, meus próprios dramas diários, que necessitam muito de perdão e compreensão.
Em nome de algo maior. Em nome da minha paz de espírito.
Eu preciso perdoar. Deixar para trás. Olhar para frente. E tentar mais uma vez.
terça-feira, 15 de abril de 2008
Na marra
Tem gente que só aprende na marra, levando porrada, tomando tombo, batendo a cabeça na parede, perdendo tudo, até mesmo a vergonha na cara.
E, para não usar de novo como exemplo minha irmã, sempre presente neste blog (até porque ele foi criado em sua "homenagem"), vou falar sobre mim. Pra variar um pouco e para que não pensem que só ela tem problemas (muitos, por sinal). Afinal, quem não tem?
Eu sempre fui muito gastona, consumidora compulsiva. Gosto de roupas, amo sapatos e acessórios, principalmente bolsas. Elas praticamente caem de dentro do armário, juntamente com as dezenas de pares de pisantes. Por isso, parcelo, parcelo, parcelo. Quando dá, pago à vista.
Pois bem: entrei de férias em março, mês passado, e gastei mais do que o normal. Até então, eu dava conta das contas, mesmo entrando no vermelho. Durante as férias, porém, perdi completamente o controle, gastei os tubos no cartão de crédito e entrei no cheque especial. Isso, somado às contas que eu tenho que pagar sozinha (uma vez que moro sozinha e me sustento) e aliado à última parcela do IPVA, me quebrou. Mas me quebrou bonito.
Tive que pedir dinheiro para meu pai, olha que vexame. Que situação mais chata, uma pessoa de quase 28 anos pedindo dinheiro pro pai.
A gota d'água veio agora há pouco: voltou sem fundos o cheque que dei para pagar a primeira parcela do meu vestido de madrinha do casamento da minha prima. Minha mãe - que resolveu me ajudar e ia bancar essa primeira parcela - demorou a depositar a quantia e, quando o cheque bateu lá no banco, não deu outra: voltou voando. Que vergonha, que vergonha.
Eu não sou caloteira! Pago minhas contas em dia!
Liguei com o rabo entre as pernas para a costureira e pedi mil desculpas. Ela disse que tudo bem, mas aposto que vai ficar com a pulga atrás da orelha toda vez que depositar meus cheques (são 4 parcelas no total). Mais parcelas...
Depois de tanto perrengue financeiro em apenas 15 dias de mês, decidi tomar uma atitude e mudar de hábito. Chega de ser gastona. Abaixo o consumismo.
Toma vergonha na cara, menina!
E, para não usar de novo como exemplo minha irmã, sempre presente neste blog (até porque ele foi criado em sua "homenagem"), vou falar sobre mim. Pra variar um pouco e para que não pensem que só ela tem problemas (muitos, por sinal). Afinal, quem não tem?
Eu sempre fui muito gastona, consumidora compulsiva. Gosto de roupas, amo sapatos e acessórios, principalmente bolsas. Elas praticamente caem de dentro do armário, juntamente com as dezenas de pares de pisantes. Por isso, parcelo, parcelo, parcelo. Quando dá, pago à vista.
Pois bem: entrei de férias em março, mês passado, e gastei mais do que o normal. Até então, eu dava conta das contas, mesmo entrando no vermelho. Durante as férias, porém, perdi completamente o controle, gastei os tubos no cartão de crédito e entrei no cheque especial. Isso, somado às contas que eu tenho que pagar sozinha (uma vez que moro sozinha e me sustento) e aliado à última parcela do IPVA, me quebrou. Mas me quebrou bonito.
Tive que pedir dinheiro para meu pai, olha que vexame. Que situação mais chata, uma pessoa de quase 28 anos pedindo dinheiro pro pai.
A gota d'água veio agora há pouco: voltou sem fundos o cheque que dei para pagar a primeira parcela do meu vestido de madrinha do casamento da minha prima. Minha mãe - que resolveu me ajudar e ia bancar essa primeira parcela - demorou a depositar a quantia e, quando o cheque bateu lá no banco, não deu outra: voltou voando. Que vergonha, que vergonha.
Eu não sou caloteira! Pago minhas contas em dia!
Liguei com o rabo entre as pernas para a costureira e pedi mil desculpas. Ela disse que tudo bem, mas aposto que vai ficar com a pulga atrás da orelha toda vez que depositar meus cheques (são 4 parcelas no total). Mais parcelas...
Depois de tanto perrengue financeiro em apenas 15 dias de mês, decidi tomar uma atitude e mudar de hábito. Chega de ser gastona. Abaixo o consumismo.
Toma vergonha na cara, menina!
segunda-feira, 14 de abril de 2008
Devastador
"Consumo de crack se alastra entre moradores de rua e também na classe média", diz o título de uma notícia publicada no último dia 10 no site do Globo.
Leia trechos da reportagem:
- "Atualmente, os dependentes de crack representam 30% dos atendimentos, ficando atrás apenas dos usuários de cocaína" (segundo dados de um núcleo de estudos da Uerj)
- "Psiquiatra afirma que em 21 anos de trabalho com dependentes de droga nunca enfrentou um quadro tão grave"
- "Até 2002, no Rio, traficantes impediam a venda da droga nas favelas porque, além de ser barata, causa um efeito rápido e devastador no viciado"
Preciso escrever mais alguma coisa sobre o que o crack causa na pessoa?
Leia trechos da reportagem:
- "Atualmente, os dependentes de crack representam 30% dos atendimentos, ficando atrás apenas dos usuários de cocaína" (segundo dados de um núcleo de estudos da Uerj)
- "Psiquiatra afirma que em 21 anos de trabalho com dependentes de droga nunca enfrentou um quadro tão grave"
- "Até 2002, no Rio, traficantes impediam a venda da droga nas favelas porque, além de ser barata, causa um efeito rápido e devastador no viciado"
Preciso escrever mais alguma coisa sobre o que o crack causa na pessoa?
Uma droga
Droga é droga. Sim, é. Todas as drogas são iguais? Não, não são.
Os efeitos são diferentes, mais ou menos agressivos. Todas fazem algum tipo de mal ao organismo, à pessoa. Mas umas causam um estrago maior.
Uma pessoa pode fumar maconha a vida inteira e ficar nisso, não experimentar nenhum outro tipo de droga. Se vai ter efeito colateral a longo prazo? Ah, claro que vai. Vai ficar meio songo-mongo, sem memória, meio tonto. Mas pode não passar disso. É até uma droga aceita socialmente. Nunca ouvi falar de alguém que tenha morrido de overdose de maconha. Só se for de tanto rir. Ou comer.
Por outro lado, um comprimido de ecstasy basta para te dar uma parada cardíaca, te desidrata, ferve a cabeça.
A cocaína pode te matar de overdose numa noite.
E o crack... bem, o crack é uma merda. Além de levar a pessoa ao vício em pouco espaço de tempo (eu já li que uma vez que alguém usa o crack já tem 95% de chances de se viciar), deturpa a sua personalidade. Mexe com a "psique", transforma o jeito, leva a pessoa a cometer os mais impensáveis atos. Tudo em nome do vício. O usuário de crack não come, porque só quer saber de se drogar. Tem alucinações. Fala sem parar, como se fosse o centro do mundo (e ninguém está muito interessado nas idéias dele porque não fazem sentido nenhum).
Eu vi minha irmã, no ano passado, emagrecer quase 10 quilos em dois meses. Olheiras profundas. Uma tosse cadavérica.
O crack é como um tsunami dentro do organismo: arrasta tudo, destrói sem dó.
Droga é droga.
Os efeitos são diferentes, mais ou menos agressivos. Todas fazem algum tipo de mal ao organismo, à pessoa. Mas umas causam um estrago maior.
Uma pessoa pode fumar maconha a vida inteira e ficar nisso, não experimentar nenhum outro tipo de droga. Se vai ter efeito colateral a longo prazo? Ah, claro que vai. Vai ficar meio songo-mongo, sem memória, meio tonto. Mas pode não passar disso. É até uma droga aceita socialmente. Nunca ouvi falar de alguém que tenha morrido de overdose de maconha. Só se for de tanto rir. Ou comer.
Por outro lado, um comprimido de ecstasy basta para te dar uma parada cardíaca, te desidrata, ferve a cabeça.
A cocaína pode te matar de overdose numa noite.
E o crack... bem, o crack é uma merda. Além de levar a pessoa ao vício em pouco espaço de tempo (eu já li que uma vez que alguém usa o crack já tem 95% de chances de se viciar), deturpa a sua personalidade. Mexe com a "psique", transforma o jeito, leva a pessoa a cometer os mais impensáveis atos. Tudo em nome do vício. O usuário de crack não come, porque só quer saber de se drogar. Tem alucinações. Fala sem parar, como se fosse o centro do mundo (e ninguém está muito interessado nas idéias dele porque não fazem sentido nenhum).
Eu vi minha irmã, no ano passado, emagrecer quase 10 quilos em dois meses. Olheiras profundas. Uma tosse cadavérica.
O crack é como um tsunami dentro do organismo: arrasta tudo, destrói sem dó.
Droga é droga.
quarta-feira, 9 de abril de 2008
Vai bem, obrigada
E a Gisela?
Está bem, fazendo tratamento com a Dra. Vera e com o psiquiatra (começou ontem) e indo à faculdade.
Vai muito bem, obrigada?
Está bem, fazendo tratamento com a Dra. Vera e com o psiquiatra (começou ontem) e indo à faculdade.
Vai muito bem, obrigada?
terça-feira, 8 de abril de 2008
Bem lá no fundo
É uma mistura de dó e medo. É isso que eu sinto em relação a ela.
Como pode ser tão auto-destrutiva assim? Como pode chegar tão no fundo do poço?
É assustador. Dá medo.
É triste vê-la assim. Dá muita dó.
Como pode ser tão auto-destrutiva assim? Como pode chegar tão no fundo do poço?
É assustador. Dá medo.
É triste vê-la assim. Dá muita dó.
Reféns
Refém mental. Nunca tinha ouvido falar nisso. E não é que existe? Meus pais são reféns rendidos da minha irmã. Aquela desequilibrada mental. É tudo coisa da mente. Poder da mente, sabe? Existe também. Nem remédio dá jeito, nem remédio a derruba, segura. A cabeça dela é mais forte (ou mais fraca, dependendo do ponto de vista) do que qualquer dose cavalar.
E eu, à minha maneira, viro refém também. Na medida em que não consigo impedir que os problemas dela afetem minha vida, viro refém mental. Refém dos problemas dela, como se eu tivesse que ter problema também na minha vida. Olha, minha vida vai muito bem, obrigada. Eu sou uma pessoa feliz. Eu não cavei os problemas dela, eu fiz de tudo no meu caminho para evitar o que acontece com ela hoje. Eu tomei as rédeas da minha vida. Eu mereço ser feliz.
Mas eu vou precisar dar um jeito nessa história de refém: eu não posso, toda vez que ela faz merda, parar o meu relógio, deixar de viver os meus dias do meu jeito, da maneira que eu escolhi. Eu não posso me afundar, me acabar, me deprimir, brigar com todos.
O problema dela é o pai de todos os problemas.
Eu preciso erguer o meu muro de Berlim. Nem que, depois, eu venha a derrubá-lo.
E eu, à minha maneira, viro refém também. Na medida em que não consigo impedir que os problemas dela afetem minha vida, viro refém mental. Refém dos problemas dela, como se eu tivesse que ter problema também na minha vida. Olha, minha vida vai muito bem, obrigada. Eu sou uma pessoa feliz. Eu não cavei os problemas dela, eu fiz de tudo no meu caminho para evitar o que acontece com ela hoje. Eu tomei as rédeas da minha vida. Eu mereço ser feliz.
Mas eu vou precisar dar um jeito nessa história de refém: eu não posso, toda vez que ela faz merda, parar o meu relógio, deixar de viver os meus dias do meu jeito, da maneira que eu escolhi. Eu não posso me afundar, me acabar, me deprimir, brigar com todos.
O problema dela é o pai de todos os problemas.
Eu preciso erguer o meu muro de Berlim. Nem que, depois, eu venha a derrubá-lo.
quarta-feira, 2 de abril de 2008
Feliz novos rumos
Hoje, 2 de abril, a Gisela faz 21 anos. Atingiu a maioridade absoluta. Avisei a ela, brincando, na última sexta-feira (antes de ela sumir), que agora é com ela. Não tem pai nem mãe que resolva.
Então, neste dia de celebrar mais um ano de vida dela e o retorno - salva (não sei se sã) - para casa, eu desejo, nada mais nada menos, que:
1- Juízo
2- Humildade
3- Consciência
4- Pé no chão
5- Capacidade de ouvir
6- Capacidade de não mentir
7- Discernimento
8- Paz de espírito
9- Inteligência emocional
10- Respeito ao próximo
Pronto. O top 10 do último ano. O ano em que minha irmã usou droga.
Então, neste dia de celebrar mais um ano de vida dela e o retorno - salva (não sei se sã) - para casa, eu desejo, nada mais nada menos, que:
1- Juízo
2- Humildade
3- Consciência
4- Pé no chão
5- Capacidade de ouvir
6- Capacidade de não mentir
7- Discernimento
8- Paz de espírito
9- Inteligência emocional
10- Respeito ao próximo
Pronto. O top 10 do último ano. O ano em que minha irmã usou droga.
segunda-feira, 31 de março de 2008
Apareceu
Acharam ela. Ou melhor, ela fugiu do "cativeiro" e ligou para meu pai. Está machucada. Prestou depoimento na polícia, que prendeu 4 suspeitos. O que queriam com ela, não sei. Ela não tinha nada no momento da "captura", nem documento nem cartões de banco. Vai entender essa violência toda. Ou essa história.
sábado, 29 de março de 2008
Medo
Eu tento não pensar no pior, mas é só no pior que eu penso.
Só no pior.
No pior, na desgraça, na tragédia.
Em morte.
Não estou conseguindo manter o pensamento positivo, como se diz.
O medo é maior.
Só no pior.
No pior, na desgraça, na tragédia.
Em morte.
Não estou conseguindo manter o pensamento positivo, como se diz.
O medo é maior.
Juízo?
Sumiu. Pegou emprestado o carro de um amigo da faculdade e não voltou mais. Depois de uma festa. Meu pai estava indo para Rio Preto para encontrá-la hoje, iam passar o fim de semana juntos. O pai do menino dono do carro ligou no celular dele pra dar a notícia.
O celular dela está na caixa postal.
Enquanto isso, eu só quero saber uma coisa: está viva?
Meu irmão me ligou para contar. Minha mãe ligou depois, chorando. Meu pai está sozinho, com o pai do menino, na delegacia prestando queixa do desaparecimento.
Vão procurar onde? Nas bocas de fumo? Nos hospitais? No IML?
Alguém tem alguma noção do que é isso? O que é não saber da sua própria irmã? O que é torcer, em casa, sozinha, para que ela esteja viva pelo menos?
Alguém sabe como é sentir medo de que o pior aconteça mas ao mesmo tempo querer dar uma surra nela? Como pode ser tão egoísta? Como pode fazer isso com os outros, com a família que a ama? Como pode só pensar em si mesma sempre, acima de tudo? E sempre para o pior.
E eu fico me perguntado a razão para isso tudo estar acontecendo. Por que isso existe, por que a gente sofre tanto, por que tantas outras famílias sofrem tanto. E, na inocência do meu desespero, eu quero saber também por que existe droga no mundo.
Eu liguei para ela ontem. Fazia semanas que não falava com ela. Contei do meu vestido para o casamento da minha prima, no qual serei madrinha. Disse que ainda estava de férias. Perguntei se tinha crescido juízo na cabeça dela. E ela respondeu que juízo não está sobrando, mas está no ponto. Bom, pensei, pelo menos está no ponto.
É trágico e irônico.
Ontem um amigo meu me perguntou se eu não ia mais atualizar o blog. Foi então que me dei conta de que tudo estava muito tranquilo nos últimos dias... sem sobressaltos.
Bons tempos foram os últimos dias. A agonia começou de novo.
O celular dela está na caixa postal.
Enquanto isso, eu só quero saber uma coisa: está viva?
Meu irmão me ligou para contar. Minha mãe ligou depois, chorando. Meu pai está sozinho, com o pai do menino, na delegacia prestando queixa do desaparecimento.
Vão procurar onde? Nas bocas de fumo? Nos hospitais? No IML?
Alguém tem alguma noção do que é isso? O que é não saber da sua própria irmã? O que é torcer, em casa, sozinha, para que ela esteja viva pelo menos?
Alguém sabe como é sentir medo de que o pior aconteça mas ao mesmo tempo querer dar uma surra nela? Como pode ser tão egoísta? Como pode fazer isso com os outros, com a família que a ama? Como pode só pensar em si mesma sempre, acima de tudo? E sempre para o pior.
E eu fico me perguntado a razão para isso tudo estar acontecendo. Por que isso existe, por que a gente sofre tanto, por que tantas outras famílias sofrem tanto. E, na inocência do meu desespero, eu quero saber também por que existe droga no mundo.
Eu liguei para ela ontem. Fazia semanas que não falava com ela. Contei do meu vestido para o casamento da minha prima, no qual serei madrinha. Disse que ainda estava de férias. Perguntei se tinha crescido juízo na cabeça dela. E ela respondeu que juízo não está sobrando, mas está no ponto. Bom, pensei, pelo menos está no ponto.
É trágico e irônico.
Ontem um amigo meu me perguntou se eu não ia mais atualizar o blog. Foi então que me dei conta de que tudo estava muito tranquilo nos últimos dias... sem sobressaltos.
Bons tempos foram os últimos dias. A agonia começou de novo.
quarta-feira, 12 de março de 2008
As dores do mundo
"Isso me ensinou e me ajudou muito. Sobretudo a não pensar que eu era a única a sofrer no mundo; via que todos tinham seus sofrimentos, que estes não eram privilégio meu. O fato de as pessoas me tratarem de maneira normal me levava, automaticamente, a agir como elas, e me fez, com o passar do tempo, viver sem achar que detinha o monopólio da dor."
Danuza Leão em Quase Tudo, livro que terminei de ler hoje. Ela perdeu marido, pai, filho, irmã, mãe... e conta, neste páragrafo, que o que a ajudou a superar a dor das perdas foi o trabalho.
Todo mundo tem seus demônios.
Todo mundo sofre.
A minha dor é pior porque acontece comigo.
(alguém já disse isso, eu li em algum lugar, mas não me lembro onde nem quando nem quem)
Danuza Leão em Quase Tudo, livro que terminei de ler hoje. Ela perdeu marido, pai, filho, irmã, mãe... e conta, neste páragrafo, que o que a ajudou a superar a dor das perdas foi o trabalho.
Todo mundo tem seus demônios.
Todo mundo sofre.
A minha dor é pior porque acontece comigo.
(alguém já disse isso, eu li em algum lugar, mas não me lembro onde nem quando nem quem)
Corujão
Eu aqui, na maior insônia que nem o fitoterápico novo deu conta, pensando na morte da bezerra, dando brecha pra minha mente inventar suas histórias mirabolantes, de férias. Cabeça vazia, já sabe oficina de quem.
Explodi no último domingo, com minha mãe. Me arrependi. Não tenho esse direito. Ela, na condição de mãe de quem é, por tudo que está passando, não merece mais isso. Não mesmo.
Agi com raiva, confesso. Mas não sinto raiva dela. Nem quero sentir. É doença.
Pedi desculpas hoje.
Terminei de ler o livro da Danuza. Na última linha, ela revela o que eu fiquei calculando durante todos os capítulos: a idade. Gostei.
Explodi no último domingo, com minha mãe. Me arrependi. Não tenho esse direito. Ela, na condição de mãe de quem é, por tudo que está passando, não merece mais isso. Não mesmo.
Agi com raiva, confesso. Mas não sinto raiva dela. Nem quero sentir. É doença.
Pedi desculpas hoje.
Terminei de ler o livro da Danuza. Na última linha, ela revela o que eu fiquei calculando durante todos os capítulos: a idade. Gostei.
sábado, 8 de março de 2008
Bem que eu avisei...
Parece que ainda não vai ser desta vez. Ah, grande novidade! Tragédia anunciada. Trovoada prevista. Com bastante antecedência. Tem gente que me disse que sim, ia ser desta vez. Outras falaram que era pra ficar atenta. Sempre alerta. Cansa. Que preguiça que dá.
O pior de tudo é perceber, olhos nos olhos, a total ausência de arrependimento. Como se o que fez, ou faz, ou continua fazendo, não fosse nada demais.
Usar crack é pouco? Desafio alguém a me dizer que sim.
Que raiva, que ódio. Todos os pensamentos ruins passam pela cabeça agora. Todos. Desastre, roubo, morte. Não fica de fora nenhuma das angústias. E lá vamos nós de novo.
Não dá para sentar na sala e fingir que "tudo bem" depois da cagada feita. Não dá. Se ela acha que nós precisamos aguentá-la para sempre, está errada. Muito errada. Porque eu cansei.
Se houver mesmo recaída, vai ser a quarta. Já passou do "três é demais". A cota já estourou faz tempo. E é muito triste notar, a cada dia que passa, como a esperança de melhora vai se esgotando lentamente. Cada decepção, uma estrelinha a menos.
Talvez seja preciso diminuir a rede protetora em volta dela. Assim, quem sabe, ela perceba o mundo como deve ser percebido. Descubra que nem tudo na vida cai do céu, nem no nosso colo. Apesar de que é isso que tem acontecido com ela, por culpa de muita gente.
Vou fechar os olhos. Ou ler meu livro.
Ela não vai estragar minhas férias mais uma vez, em menos de 3 meses.
O pior de tudo é perceber, olhos nos olhos, a total ausência de arrependimento. Como se o que fez, ou faz, ou continua fazendo, não fosse nada demais.
Usar crack é pouco? Desafio alguém a me dizer que sim.
Que raiva, que ódio. Todos os pensamentos ruins passam pela cabeça agora. Todos. Desastre, roubo, morte. Não fica de fora nenhuma das angústias. E lá vamos nós de novo.
Não dá para sentar na sala e fingir que "tudo bem" depois da cagada feita. Não dá. Se ela acha que nós precisamos aguentá-la para sempre, está errada. Muito errada. Porque eu cansei.
Se houver mesmo recaída, vai ser a quarta. Já passou do "três é demais". A cota já estourou faz tempo. E é muito triste notar, a cada dia que passa, como a esperança de melhora vai se esgotando lentamente. Cada decepção, uma estrelinha a menos.
Talvez seja preciso diminuir a rede protetora em volta dela. Assim, quem sabe, ela perceba o mundo como deve ser percebido. Descubra que nem tudo na vida cai do céu, nem no nosso colo. Apesar de que é isso que tem acontecido com ela, por culpa de muita gente.
Vou fechar os olhos. Ou ler meu livro.
Ela não vai estragar minhas férias mais uma vez, em menos de 3 meses.
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008
Vambora
O certo é que to vivendo, eu to tentando...
Bota a vida pra andar, porque não dá pra ficar parado esperando a vida acontecer. Faça sua programação, planeje suas viagens. E tenta relevar os problemas, tenta esquecer da parte bizarra e inesperada da vida. Sobressaltos existirão mesmo, não dá pra lutar contra isso. Nem forçar a barra para a situação se normalizar antes da hora.
Então, pega a malinha e a cuia e vá pra MS como já era desejado. Deixa o problema em Rio Preto, quieto, porém latente.
Let's have fun.
Bota a vida pra andar, porque não dá pra ficar parado esperando a vida acontecer. Faça sua programação, planeje suas viagens. E tenta relevar os problemas, tenta esquecer da parte bizarra e inesperada da vida. Sobressaltos existirão mesmo, não dá pra lutar contra isso. Nem forçar a barra para a situação se normalizar antes da hora.
Então, pega a malinha e a cuia e vá pra MS como já era desejado. Deixa o problema em Rio Preto, quieto, porém latente.
Let's have fun.
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008
Divino?
Restaurar confiança é divino? Vou dar risada disso, prometo.
Divino que nada. É uma merda. É foda.
Com o perdão das palavras.
Divino que nada. É uma merda. É foda.
Com o perdão das palavras.
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008
A quebra da confiança
Uma vida inteira de atos corretos é manchada por um único erro grave. Fatalista? Sim, mas é duro admitir que é verdade. Existem muitos casos por aí para comprovar.
Por isso, quando ela pede para passar o feriado na companhia dos parentes em Minas, a cabeça já entra em parafuso: será que ela já tem capacidade para isso? Será que não vai aprontar de novo? Olha, ela já está morando sozinha em Rio Preto, fazendo faculdade. Um voto de confiança já foi dado.
A verdade é que é preciso confiar. Acreditar que o erro não vai se repetir. Tem que dar uma segunda chance. É fácil, fácil falar. Quando acontece com a gente é que são elas. Ser capaz de dar uma segunda chance é um dom, eu acho. Poder perdoar é nobre. E, uma vez concedida a tal segunda chance, o jeito é administrar os pavores e medos decorrentes da decisão (e que estarão presentes todas as horas do dia, pode acreditar).
Há muita gente sendo agraciada com a possibilidade de consertar um erro. Tem gente que nem sabe disso... apenas desconfia.
Restaurar a confiança quebrada é divino. Mas leva tempo.
Por isso, quando ela pede para passar o feriado na companhia dos parentes em Minas, a cabeça já entra em parafuso: será que ela já tem capacidade para isso? Será que não vai aprontar de novo? Olha, ela já está morando sozinha em Rio Preto, fazendo faculdade. Um voto de confiança já foi dado.
A verdade é que é preciso confiar. Acreditar que o erro não vai se repetir. Tem que dar uma segunda chance. É fácil, fácil falar. Quando acontece com a gente é que são elas. Ser capaz de dar uma segunda chance é um dom, eu acho. Poder perdoar é nobre. E, uma vez concedida a tal segunda chance, o jeito é administrar os pavores e medos decorrentes da decisão (e que estarão presentes todas as horas do dia, pode acreditar).
Há muita gente sendo agraciada com a possibilidade de consertar um erro. Tem gente que nem sabe disso... apenas desconfia.
Restaurar a confiança quebrada é divino. Mas leva tempo.
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008
Virtude
Tenta achar que não é assim tão mal
Exercita a paciência
To exercitando, to exercitando a santa paciência.
Exercita a paciência
To exercitando, to exercitando a santa paciência.
terça-feira, 12 de fevereiro de 2008
O pé atrás
Ela começou na universidade. Vai tentar veterinária (depois de querer educação física, entrar para medicina, bombar por falta em medicina, largar medicina...). Bicho é terapêutico, pelo menos. Tomara que dê certo, é a única coisa que penso.
Mas eu confesso que, em alguns momentos, eu não acredito que vá dar certo ainda. De novo. É como se alguma coisa dentro de mim tivesse morrido em relação a essa questão, a ela. Acho que foi a esperança cheia que morreu. Hoje, só existe uma meia esperança. Calejada. Frustrada. Esperança se frustra? Porque eu fico frustrada com a falta dela. Mas será que ela própria se frustra? Vai ver é isso: a esperança fica frustrada e frustra a gente. Deixa sem horizonte. Eu que andava tão esperançosa...
Diminuí o ritmo de escrever aqui porque decidi que vou tomar as rédeas da minha vida, impedir que o problema dela vire constantemente meu também. Opa, já falei sobre isso.
Eu acho que ela deveria ter esperado passar os primeiros dias de aula, que servem só para receber trote. E trote envolve bebida, todos sabemos. Diz ela que quer enfrentar o problema de frente, sem adiar. Muito louvável. Mas eu ainda acho que devia ter esperado. Pra que se testar tanto assim? Tem necessidade? Não, não tem.
Mas eu confesso que, em alguns momentos, eu não acredito que vá dar certo ainda. De novo. É como se alguma coisa dentro de mim tivesse morrido em relação a essa questão, a ela. Acho que foi a esperança cheia que morreu. Hoje, só existe uma meia esperança. Calejada. Frustrada. Esperança se frustra? Porque eu fico frustrada com a falta dela. Mas será que ela própria se frustra? Vai ver é isso: a esperança fica frustrada e frustra a gente. Deixa sem horizonte. Eu que andava tão esperançosa...
Diminuí o ritmo de escrever aqui porque decidi que vou tomar as rédeas da minha vida, impedir que o problema dela vire constantemente meu também. Opa, já falei sobre isso.
Eu acho que ela deveria ter esperado passar os primeiros dias de aula, que servem só para receber trote. E trote envolve bebida, todos sabemos. Diz ela que quer enfrentar o problema de frente, sem adiar. Muito louvável. Mas eu ainda acho que devia ter esperado. Pra que se testar tanto assim? Tem necessidade? Não, não tem.
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008
Pasalix
Eu tremo e tenho taquicardia.
Meu estômago dói.
Minha vista fica meio turva.
Eu respiro devagar para a angústia passar.
E tomo um Pasalix contra a ansiedade.
Para poder dormir.
Amanhã vai ser outro dia.
Meu estômago dói.
Minha vista fica meio turva.
Eu respiro devagar para a angústia passar.
E tomo um Pasalix contra a ansiedade.
Para poder dormir.
Amanhã vai ser outro dia.
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008
Mas é carnaval
Como já escrevi num post passado, carnaval é época de excessos. Realmente. Os sites só noticiam dois tipos de informação: a farra da galera e mortes. Além das "comuns" da época, como em acidentes de trânsito, teve até atropelamento por trio elétrico. Fora os afogamentos. O que será que passa na cabeça dessa gente? "Oba, é carnaval, vou enfiar o pé na jaca". Só pode ser. É isso mesmo: eu tive épocas assim. Eu já cheguei a terminar um carnaval completamente rouca. Sem memória. E com 9 roxos, todos de origem desconhecida ou esquecida. Tem uma hora que passa da conta... Não entendo como tem gente que fica nessa a vida inteira.
Resumo do carnaval:
- Mulher praticamente pelada. As "musas" do carnaval. O biquíni que arrebentou.
- Três morrem em acidente. Dois desaparecem em cachoeira. Trio elétrico desgovernado atropela quatro e mata dois.
Peguei pinimba de carnaval. Quero mais é que chegue a quarta-feira de cinzas. Que palhaçada.
Resumo do carnaval:
- Mulher praticamente pelada. As "musas" do carnaval. O biquíni que arrebentou.
- Três morrem em acidente. Dois desaparecem em cachoeira. Trio elétrico desgovernado atropela quatro e mata dois.
Peguei pinimba de carnaval. Quero mais é que chegue a quarta-feira de cinzas. Que palhaçada.
domingo, 3 de fevereiro de 2008
O mundo acordar, e a gente dormir
Teve uma época em que meus sonhos eram enigmáticos, daqueles que é preciso decifrar para entender. Cheios de símbolos, sabe... Mas isso foi antes, uns meses atrás. Faz uma semana que eles têm sido bem reais. Desses que te fazem acordar meio desatordoado: foi só um sonho mesmo?
Uma coisa é sonhar com um pântano, enlamaçado, com meu pai sendo arrastado lodo adentro por um urso. Ou então sonhar que está apagando um incêndio. Vários incêndios, em uma fileira de ar-condicionado.
Outra coisa é sonhar, com todas as imagens, com droga. Em um dos sonhos recentes, eu vivia em uma família que traficava drogas. No outro, que foi esta noite que passou, eu achava cocaína no bolso da calça da minha irmã, escondida. E perguntava a ela: onde você conseguiu isso? Ela não dizia. Quem te deu isso? Você comprou? E ela, nada. Quando ela resolveu falar, disse que tinha ganhado o papelote branco de um amigo (que existe na vida real, mas que eu não vou citar nominalmente aqui). E eu pra ela: você não entende que precisa se afastar dessas pessoas? Não percebe que tem que fazer novas amizades, se relacionar com quem se importa com você? Essas pessoas não estão nem aí pra você! Não percebe isso?
Parecia até o filme repetido do último ano da vida dessa família.
Uma coisa é sonhar com um pântano, enlamaçado, com meu pai sendo arrastado lodo adentro por um urso. Ou então sonhar que está apagando um incêndio. Vários incêndios, em uma fileira de ar-condicionado.
Outra coisa é sonhar, com todas as imagens, com droga. Em um dos sonhos recentes, eu vivia em uma família que traficava drogas. No outro, que foi esta noite que passou, eu achava cocaína no bolso da calça da minha irmã, escondida. E perguntava a ela: onde você conseguiu isso? Ela não dizia. Quem te deu isso? Você comprou? E ela, nada. Quando ela resolveu falar, disse que tinha ganhado o papelote branco de um amigo (que existe na vida real, mas que eu não vou citar nominalmente aqui). E eu pra ela: você não entende que precisa se afastar dessas pessoas? Não percebe que tem que fazer novas amizades, se relacionar com quem se importa com você? Essas pessoas não estão nem aí pra você! Não percebe isso?
Parecia até o filme repetido do último ano da vida dessa família.
quinta-feira, 31 de janeiro de 2008
Era ela e era eu
Minha terapeuta me disse para não congelar minha vida por causa dos problemas da minha irmã, porque, diz ela, é isso que eu estou fazendo nos últimos dias. Deixei o desânimo tomar conta. Deixei a lâmpada acesa para a tristeza entrar (como diz "Regra Três"). Perdi as rédeas da situação e o problema dela, que não é meu, penetrou no meu trabalho, no meu namoro, na minha casa. Tirou meu sono.
Preciso construir barreiras mais fortes, armaduras mais potentes contra o problema da minha irmã. Porque eu não sou ela. Eu preciso continuar minha vida, apesar do buraco em que ela se meteu. Tenho que dar continuidade aos meus planos. Eu posso me envolver na questão, mas sem me afundar junto. Eu posso tentar ajudá-la, mas sem ser arrastada. Isso não vai adiantar.
É como se eu fosse ela. Como se eu tivesse que sofrer também, parar minha vida e só recomeçar quando ela estiver pronta para recomeçar. Mas eu não sou a Gisela. Eu sou a Isabela. A semelhança está só na sonoridade do nome. Na minha vida quem manda sou eu.
ps.: o título deste post lembra o título de uma música do Chico
Preciso construir barreiras mais fortes, armaduras mais potentes contra o problema da minha irmã. Porque eu não sou ela. Eu preciso continuar minha vida, apesar do buraco em que ela se meteu. Tenho que dar continuidade aos meus planos. Eu posso me envolver na questão, mas sem me afundar junto. Eu posso tentar ajudá-la, mas sem ser arrastada. Isso não vai adiantar.
É como se eu fosse ela. Como se eu tivesse que sofrer também, parar minha vida e só recomeçar quando ela estiver pronta para recomeçar. Mas eu não sou a Gisela. Eu sou a Isabela. A semelhança está só na sonoridade do nome. Na minha vida quem manda sou eu.
ps.: o título deste post lembra o título de uma música do Chico
terça-feira, 29 de janeiro de 2008
O querer
Em certas ocasiões, querer é poder. Precisa ser desse jeito. Para largar um vício, qualquer tipo de vício (até o do cigarro, meu caso atualmente), é necessário estar no topo da lista a vontade de parar. O querer. Mas tem que querer muito. Querer com força. Bota querer nisso...
Daí eu fico imaginando: se parar de fumar é tão insuportável, imagina tentar largar substâncias mais pesadas, alucinógenas, que causam delírio (perseguido para fugir da realidade atormentadora e insuportável). Deve ser muito difícil.
Por isso que é preciso querer. Só querendo muito a pessoa vai poder (e conseguir) sair da merda da droga.
Eu torço para que ela queira. Torço com força. E para que eu abandone esse cigarro de nicotina maldito de uma vez por todas. Não consigo nem dormir.
Daí eu fico imaginando: se parar de fumar é tão insuportável, imagina tentar largar substâncias mais pesadas, alucinógenas, que causam delírio (perseguido para fugir da realidade atormentadora e insuportável). Deve ser muito difícil.
Por isso que é preciso querer. Só querendo muito a pessoa vai poder (e conseguir) sair da merda da droga.
Eu torço para que ela queira. Torço com força. E para que eu abandone esse cigarro de nicotina maldito de uma vez por todas. Não consigo nem dormir.
Ainda sobre o Johnny
Esse filme está rendendo. Pois então, aqui vou falar sobre penas alternativas, que foi o que o João Estrela recebeu na vida dele (na minha opinião). Pensa bem: o cara era o maior traficante daqueles anos, no Rio. Ele vendia a cocaína para toda a sociedade carioca. Vendeu lá fora, no exterior, fez tráfico internacional. E recebeu só 3 anos? Em um hospital psiquiátrico? É pouco. Pensa bem, é muito pouco.
Mas eu acho que não foi errada a pena. O lugar onde ele ficou, sim, foi errado. Vou tentar explicar.
O cara era um viciado. Ele não vendia droga para ser rico, ele não virou um milionário do tráfico (como o outro personagem), não teve propriedades. Tudo que ele ganhou, ele gastou. Ele vendia para se sustentar. Ele era um doente, que precisava de tratamento - não de cadeia, que não recupera ninguém, está todo mundo cansado de saber. Por isso eu acho que a pena foi acertada.
Agora, o lugar pra onde ele foi... aquilo lá também não recupera ninguém. João Estrela só se livrou do vício por mérito próprio, porque não tinha saída e não quis se render. Quis melhorar. Poderia muito bem ter ficado louco, como ele próprio disse em entrevistas recentes.
Dizem que as melhores clínicas de recuperação de drogados são as que não oferecem luxo nenhum. Porque, dizem, a pessoa só percebe o buraco onde se enfiou depois que começa a perder as mordomias: bomba nos estudos, perde o carro e, principalmente e acima de tudo, perde a confiança das pessoas. Isso é o pior. Sabe a história do Pedro e o lobo? Então, é mais ou menos assim.
Em um sistema judiciário que funcione bem, penas alternativas dariam certo. Aqui no Brasil... não sei não. Tenho minhas dúvidas.
O vício é uma doença.
Mas eu acho que não foi errada a pena. O lugar onde ele ficou, sim, foi errado. Vou tentar explicar.
O cara era um viciado. Ele não vendia droga para ser rico, ele não virou um milionário do tráfico (como o outro personagem), não teve propriedades. Tudo que ele ganhou, ele gastou. Ele vendia para se sustentar. Ele era um doente, que precisava de tratamento - não de cadeia, que não recupera ninguém, está todo mundo cansado de saber. Por isso eu acho que a pena foi acertada.
Agora, o lugar pra onde ele foi... aquilo lá também não recupera ninguém. João Estrela só se livrou do vício por mérito próprio, porque não tinha saída e não quis se render. Quis melhorar. Poderia muito bem ter ficado louco, como ele próprio disse em entrevistas recentes.
Dizem que as melhores clínicas de recuperação de drogados são as que não oferecem luxo nenhum. Porque, dizem, a pessoa só percebe o buraco onde se enfiou depois que começa a perder as mordomias: bomba nos estudos, perde o carro e, principalmente e acima de tudo, perde a confiança das pessoas. Isso é o pior. Sabe a história do Pedro e o lobo? Então, é mais ou menos assim.
Em um sistema judiciário que funcione bem, penas alternativas dariam certo. Aqui no Brasil... não sei não. Tenho minhas dúvidas.
O vício é uma doença.
sexta-feira, 25 de janeiro de 2008
Meu nome não é Johnny
Assisti ontem ao filme "Meu nome não é Johnny". Eu gostei do filme. Principalmente porque tem um final, digamos, feliz. Ele sai das drogas, do tráfico, do vício. E hoje trabalha no ramo musical, vive bem. O melhor, no final do filme, é a frase da juíza que o condenou a apenas 3 anos de "tratamento" em um hospital psiquiátrico: "João Guilherme Estrela é a prova viva de que as pessoas podem ser recuperadas."
Eu me arrepio até agora toda vez que lembro dessa frase. As pessoas podem ser recuperadas. Casos assim aconteceram, ainda acontecem. Elas podem ser recuperadas.
O filme tem umas tiradas ótimas, engraçadas... as cenas dele na prisão (cadeia de verdade) chegam a ser hilárias. O ator está muito bem no papel, na minha opinião. Não dei risada o filme todo. Na verdade, eu mais chorei do que ri. Era como se tivessem contando a história da minha irmã. Era como se eu olhasse a mãe do João Estrela e visse a minha própria família sofrendo.
E, no fim da sessão, quando as luzes se acenderam, o espanto dos outros pelo meu choro.Não tenho que explicar nada a ninguém. Me deixem chorar em paz. Me deixem sozinha com a minha angústia, só eu entendo dela.
Talvez eu tenha sido a única ontem a chorar vendo esse filme. Talvez eu tenha sido a única a chorar tanto nos últimos dias.
Claro que não. O mundo não gira no meu umbigo!
Tenha fé.
Eu me arrepio até agora toda vez que lembro dessa frase. As pessoas podem ser recuperadas. Casos assim aconteceram, ainda acontecem. Elas podem ser recuperadas.
O filme tem umas tiradas ótimas, engraçadas... as cenas dele na prisão (cadeia de verdade) chegam a ser hilárias. O ator está muito bem no papel, na minha opinião. Não dei risada o filme todo. Na verdade, eu mais chorei do que ri. Era como se tivessem contando a história da minha irmã. Era como se eu olhasse a mãe do João Estrela e visse a minha própria família sofrendo.
E, no fim da sessão, quando as luzes se acenderam, o espanto dos outros pelo meu choro.Não tenho que explicar nada a ninguém. Me deixem chorar em paz. Me deixem sozinha com a minha angústia, só eu entendo dela.
Talvez eu tenha sido a única ontem a chorar vendo esse filme. Talvez eu tenha sido a única a chorar tanto nos últimos dias.
Claro que não. O mundo não gira no meu umbigo!
Tenha fé.
quinta-feira, 24 de janeiro de 2008
Nunca achei que ela fosse burra?
Ela passou no vestibular. Confesso que não botava fé, não. Ela não estuda há, no mínimo, 3 anos. Pra contar o mínimo mesmo. Ela sempre foi inteligente, isso é um outro fato. Se bem que, pelos rumos e atitudes tomados no último ano, não dá para qualificá-la de tão inteligente assim. Costumava dizer que ela usava a inteligência para fazer coisa errada. Usava mal a inteligência. Bem, mudei de opinião depois de um tempo, porque isso não é inteligência. É burrice. Fazer o quê? É burrice.
Não é só uma questão de inteligência, de QI, eu sei, eu sei. Há fatores demais envolvidos: emocionais, psicológicos, de criação, de convivência, de personalidade.
Ela passou no vestibular. E agora, mãe? E agora? Vai morar sozinha? Vai morar com quem? Não dá pra morar em Paranaíba, ok. Mas vai morar sozinha? Vai viver a realidade de uma universidade, onde tudo acontece, quase tudo é permitido, porque é nessa época que as pessoas aproveitam pra valer, antes de ter que encarar o emprego, as responsabilidades?
Eu só acredito vendo. Eu só vou ficar contente de verdade depois que der certo. Desculpe, mas eu cansei de ver espatifada no chão a minha esperança. Deixa a realidade se assentar antes para ser feliz nesse caso.
De qualquer forma, parabéns.
É a Unip.
Não é só uma questão de inteligência, de QI, eu sei, eu sei. Há fatores demais envolvidos: emocionais, psicológicos, de criação, de convivência, de personalidade.
Ela passou no vestibular. E agora, mãe? E agora? Vai morar sozinha? Vai morar com quem? Não dá pra morar em Paranaíba, ok. Mas vai morar sozinha? Vai viver a realidade de uma universidade, onde tudo acontece, quase tudo é permitido, porque é nessa época que as pessoas aproveitam pra valer, antes de ter que encarar o emprego, as responsabilidades?
Eu só acredito vendo. Eu só vou ficar contente de verdade depois que der certo. Desculpe, mas eu cansei de ver espatifada no chão a minha esperança. Deixa a realidade se assentar antes para ser feliz nesse caso.
De qualquer forma, parabéns.
É a Unip.
quarta-feira, 23 de janeiro de 2008
Nuvem de lágrimas
Há uma nuvem de lágrimas sobre os meus olhos. Eu não consigo parar de chorar. Estou com medo.
terça-feira, 22 de janeiro de 2008
Muletinha
Viraram o mundo de ponta-cabeça e ninguém me avisou. Vivo em altos e baixos, nos últimos dias. Desde ontem eu choro sem parar. Fui dormir chorando. Acordei, com insônia, às 5h30 e chorei de novo. Fui para a terapia e chorei 3 vezes. Quase choro agora, no trabalho. A angústia nunca tinha sido desse tamanho, tão grande. A tristeza, o medo, um desespero até. Medo de dar errado de novo, medo da morte, medo de ver a esperança se espatifar de novo no chão. O jeito vai ser ajustar a esperança ao tamanho do problema. E me preparar para as duas faces da moeda: a boa e a ruim. Se der a boa, melhor, opa! Se der a ruim, recolhe os cacos, cola tudo, remenda e vam'bora. ´
Que saudade do meu cigarro, da minha muletinha para as horas de solidão.
Que saudade do meu cigarro, da minha muletinha para as horas de solidão.
domingo, 20 de janeiro de 2008
Trechos
"O homem se droga, comete crimes, sempre que sua vida tem falta de sentido e sempre que se afasta de Deus"
"Família de vítima jamais perdoa"
"Ser humano só melhora quando há endurecimento de penas"
de entrevista do ex-delegado de polícia e advogado criminalista paulistano Milton Bednarski, 78 anos de idade, à revista "Joyce Pascowitch", edição de dezembro
"Família de vítima jamais perdoa"
"Ser humano só melhora quando há endurecimento de penas"
de entrevista do ex-delegado de polícia e advogado criminalista paulistano Milton Bednarski, 78 anos de idade, à revista "Joyce Pascowitch", edição de dezembro
sexta-feira, 18 de janeiro de 2008
Era só o que faltava
Não vai adiantar passar a mão na cabeça. Não vai dar certo tentar amenizar a situação pra que ela tenha uma vida mais fácil. Tem gente que só procura pedreira. E depois quer moleza. Sai da moleza pra pedreira, por opção pessoal, e depois quer a vida boa de volta. Não é assim. Nunca foi nem nunca vai ser. Não adianta vestir a roupa de salvador da pátria, porque não tem isso no mundo. Ai que tortura. Que angústia. Que vontade de chorar. Que ódio. Cadê minha terapeuta? Por que eu não fui lá na terça-feira?
Vai se aproximando o dia de ela sair definitivamente (e pela última vez?) da clínica. Tá todo mundo em pânico, nervoso, ansioso, tremendo, com medo, com colesterol e pressão altos. O mundo tá balançando ou é o povo que tá agitado? Preferia um terremoto a reviver todo o pavor e a tristeza de novo.
Que vontade de chorar.
Vai se aproximando o dia de ela sair definitivamente (e pela última vez?) da clínica. Tá todo mundo em pânico, nervoso, ansioso, tremendo, com medo, com colesterol e pressão altos. O mundo tá balançando ou é o povo que tá agitado? Preferia um terremoto a reviver todo o pavor e a tristeza de novo.
Que vontade de chorar.
quarta-feira, 9 de janeiro de 2008
Alta
Ela está de alta. Ou seja, já pode sair da clínica onde está desde o dia 11 de novembro. Dois meses de internação. E por aí vem o carnaval... tomara que fique lá até passar essa folia toda, esse desregramento típico da época... Fevereiro é mês em que a maioria das pessoas perde as estribeiras: bebe demais, beija demais, dança demais. Mês de muitos e variados excessos. Não é bom para quem está lutando para evitar exatamente isso: os excessos. Torço para passar o carnaval lá, mas não sou eu quem decide isso.
Estava conversando com uma amiga minha agora há pouco e chegamos a uma conclusão juntas: Deus sabe o que faz, a hora que tem que fazer, como tem que fazer. Não vou explicar aqui o que nos levou a essa conclusão, deixa pra outro post.
E por falar em Deus: tem um monte de gente lá em casa pendurado em você, viu? Fazendo o possível aqui na Terra, para que você dê uma ajudinha aí do céu.
Eu acredito em Deus.
Estava conversando com uma amiga minha agora há pouco e chegamos a uma conclusão juntas: Deus sabe o que faz, a hora que tem que fazer, como tem que fazer. Não vou explicar aqui o que nos levou a essa conclusão, deixa pra outro post.
E por falar em Deus: tem um monte de gente lá em casa pendurado em você, viu? Fazendo o possível aqui na Terra, para que você dê uma ajudinha aí do céu.
Eu acredito em Deus.
segunda-feira, 7 de janeiro de 2008
Tudo azul?
Comecei 2008 com duas novidades (e bota novidade nisso!): parei de fumar (novamente) e estou com saldo no banco (pasme!). Depois de um ano enrolando, só não fumando no trabalho e em outras ocasiões raras, tomei vergonha na cara e começo a tentar de novo a parar de fumar. É a terceira tentativa séria. Na última vez, fiquei 3 meses sem fumar nada mesmo. Veremos...
A questão do banco... bem, esse caso é sério. Vivo no vermelho. Para mim, limite é saldo. Eu computo a grana do cheque especial como se fosse minha, meu salário, um dinheiro para meu usufruto. Tem cabimento? Não. Promessa de ano novo: ficar no azul. Sair do vermelho. Gastar menos...
Esperança de ano novo: muita coisa. Mas muita mesmo. Que ela se recupere, depois da terceira internação. Que eu pare de fumar nesta terceira tentativa. Que haja muito amor na minha vida, para que ela continue cor de rosa.
A questão do banco... bem, esse caso é sério. Vivo no vermelho. Para mim, limite é saldo. Eu computo a grana do cheque especial como se fosse minha, meu salário, um dinheiro para meu usufruto. Tem cabimento? Não. Promessa de ano novo: ficar no azul. Sair do vermelho. Gastar menos...
Esperança de ano novo: muita coisa. Mas muita mesmo. Que ela se recupere, depois da terceira internação. Que eu pare de fumar nesta terceira tentativa. Que haja muito amor na minha vida, para que ela continue cor de rosa.
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