No mês passado eu visitei minha irmã, com meus pais, lá na clínica onde está internada há 3 meses. Na hora que ela me viu, ela chorou. Não achou que eu fosse lá.
Conversamos muito, nós 4, ela parece bem. Mais magra (6 kg a menos). Parece empenhada em sair do problema, lúcida com relação ao mal que causou e que ainda pode causar a si mesma. Foi bastante elogiada pelas responsáveis pela clínica. Estava maquiada, arrumada, de cabelo escovado. Nem parecia a Gisela.
O lugar é bonito, à beira da represa de Guarapiranga.
Quando foi dando a hora de ir embora, subimos para o lugar onde as outras internas estavam e lá ficamos, um tempinho. Observei as outras moças: de 14 a 60 anos. Do crack ao álcool. Coisa pesada, gente que está nessa há muito tempo e parece que nem tem como recuperar. Uma delas, morena dos olhos azuis enormes, tenta fugir sempre. Outra parece catatônica. E tinha uma senhora que acendia um cigarro atrás do outro e só olhava o resto acontecer.
Aquela cena, aquelas mulheres, algumas meio bobas, meio passadas, meio loucas. Aquilo me abalou. Eu olhei para aquele retrato e me dei conta de que ela, a minha irmã, pode ser daquele jeito pra sempre. Pode ser uma senhora de 60 anos, que acende um cigarro atrás do outro, presa numa clínica. Sem esperança de mudar.
Na hora de ir embora, quem chorou fui eu. Saí sem me despedir, sem olhar pra ela.
Não quero voltar mais lá.
Quero um outro retrato, dela aqui fora e bem.
terça-feira, 29 de julho de 2008
Acorrentado
29/07/2008
Jovem fica 8 meses acorrentado para não comprar droga (do UOL)
Um jovem viciado em crack passou oito meses acorrentado na sua cama em São Cristóvão, na região metropolitana de Aracaju, para não comprar a droga. Foi ele, cujo nome é mantido em sigilo, que pediu para ser preso à cama, segundo seu pai, o pedreiro Aluísio da Silva, 45 anos. "Quando está em si, ele mesmo pede para ficar amarrado. Estou à toa, sem saber o que fazer e a quem pedir ajuda", disse. Ontem, o rapaz, de 17 anos, foi levado para o centro psiquiátrico da Prefeitura de Aracaju, no Hospital São José, para realizar tratamento. O Conselho Tutelar de São Cristóvão, que acompanha o caso, já havia encaminhado o rapaz para um abrigo, mas ele fugiu. Apesar da corrente grossa e cadeado grande, o rapaz conseguiu quebrar uma cama. Durante alucinação provocada pela droga, se escondeu num guarda-roupa. De acordo com a conselheira tutelar de São Cristóvão, Heloína de Azevedo, o caso deverá ser apurado pela Promotoria Pública. "Se ele está consumindo droga, tem algum adulto vendendo para ele. Já existe um processo aberto para investigar", informou.
Jovem fica 8 meses acorrentado para não comprar droga (do UOL)
Um jovem viciado em crack passou oito meses acorrentado na sua cama em São Cristóvão, na região metropolitana de Aracaju, para não comprar a droga. Foi ele, cujo nome é mantido em sigilo, que pediu para ser preso à cama, segundo seu pai, o pedreiro Aluísio da Silva, 45 anos. "Quando está em si, ele mesmo pede para ficar amarrado. Estou à toa, sem saber o que fazer e a quem pedir ajuda", disse. Ontem, o rapaz, de 17 anos, foi levado para o centro psiquiátrico da Prefeitura de Aracaju, no Hospital São José, para realizar tratamento. O Conselho Tutelar de São Cristóvão, que acompanha o caso, já havia encaminhado o rapaz para um abrigo, mas ele fugiu. Apesar da corrente grossa e cadeado grande, o rapaz conseguiu quebrar uma cama. Durante alucinação provocada pela droga, se escondeu num guarda-roupa. De acordo com a conselheira tutelar de São Cristóvão, Heloína de Azevedo, o caso deverá ser apurado pela Promotoria Pública. "Se ele está consumindo droga, tem algum adulto vendendo para ele. Já existe um processo aberto para investigar", informou.
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