No mês passado eu visitei minha irmã, com meus pais, lá na clínica onde está internada há 3 meses. Na hora que ela me viu, ela chorou. Não achou que eu fosse lá.
Conversamos muito, nós 4, ela parece bem. Mais magra (6 kg a menos). Parece empenhada em sair do problema, lúcida com relação ao mal que causou e que ainda pode causar a si mesma. Foi bastante elogiada pelas responsáveis pela clínica. Estava maquiada, arrumada, de cabelo escovado. Nem parecia a Gisela.
O lugar é bonito, à beira da represa de Guarapiranga.
Quando foi dando a hora de ir embora, subimos para o lugar onde as outras internas estavam e lá ficamos, um tempinho. Observei as outras moças: de 14 a 60 anos. Do crack ao álcool. Coisa pesada, gente que está nessa há muito tempo e parece que nem tem como recuperar. Uma delas, morena dos olhos azuis enormes, tenta fugir sempre. Outra parece catatônica. E tinha uma senhora que acendia um cigarro atrás do outro e só olhava o resto acontecer.
Aquela cena, aquelas mulheres, algumas meio bobas, meio passadas, meio loucas. Aquilo me abalou. Eu olhei para aquele retrato e me dei conta de que ela, a minha irmã, pode ser daquele jeito pra sempre. Pode ser uma senhora de 60 anos, que acende um cigarro atrás do outro, presa numa clínica. Sem esperança de mudar.
Na hora de ir embora, quem chorou fui eu. Saí sem me despedir, sem olhar pra ela.
Não quero voltar mais lá.
Quero um outro retrato, dela aqui fora e bem.
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