domingo, 24 de maio de 2009

Cartola, música para os olhos

Fim da tempestade, o sol nascerá.
Estou assistindo, pela segunda ou terceira vez, o documentário sobre o Cartola. Nesse canal Futura, que pouca gente vê (e perde muito). Olhos vidrados na TV, na história dele, pra não perder nenhum detalhe mais uma vez. E eu volto a pensar: onde é que eu estava nessa época? Bem, fácil de responder: nem se quer na barriga ou no pensamento da minha mãe. Mas que deveria ter vivido lá, não me canso de achar isso. Alegria, era o que faltava em mim...

Fazia tempo que não escrevia aqui. Estava focada em outra parte de minha vida, uma vez que minha irmã, o motivo principal deste blog, está muito muito bem. Se Deus existe, ele deu as caras por aqui. Ela anda bem demais, estudando de novo, ganhando dinheiro em um trabalho bom, amando alguém. Sem restrições. Encarando a vida e o preconceito de frente. Dá orgulho na gente de ver. E foi dela que lembrei vendo Cartola, porque é de uma música dele que vem o nome deste blog.

Bate outra vez com esperanças o meu coração, pois já vai terminando o verão enfim. Oxe... é lindo demais, quando a letra de uma música arrepia, a melodia, o som. O que seria da vida sem música? Eu acho, hoje, que não conseguiria me expressar bem se não houvesse música. Todos os momentos por que passei eu encaixo em uma letra: do Chico, principalmente. Do Cartola. Até de sertanejos, nos dias de dor-de-cotovelo.

Engraçado é eu gostar primordialmente da música de mangueirenses. A minha origem, que eu adoro e não canso de lembrar, é salgueirense. Mas samba é samba... é samba... ponto. Música sem barreiras, sem bandeiras. Sem política no samba. Cartola não teve filhos... só agregados. Gente de quem ele cuidou. Ou seja: aquela história de que O Mundo é um Moinho foi feita pra uma filha dele deve ser balela... mas continua linda.

Agora é a parte do filme que conta a morte dele. Mas, antes, carnaval, alegorias, mulatas, ala das baianas, verde e rosa, passistas, bateria, velha guarda, óculos de sol, Cartola. Dona Zica chorando, silêncio no filme, só o batuque de um surdo. O caixão, a gente chorando, Cartola carregado pela multidão. Sangue na veia. O mesmo sangue na veia.

30 de novembro de 1980. Cartola morreu no ano em que nasci. Eu devo ter nascido na época errada mesmo.

Acorda e olha o céu que o sol vem trazer bom dia.

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