Eu vou falar da pessoa, não da droga.
Porque por trás do cachimbo e debaixo do cobertor que perambula pela cracolândia existe uma pessoa. E não uma pessoa simplesmente, uma pessoa doente. Porque o vício é uma doença. Não se combate o vício com polícia, com blitz, com prisão. Isso é para o tráfico e seus traficantes.
O viciado – qualquer um deles, mas lembrando que por aqui eu falo do crack – precisa de tratamento e internação. Precisa, acima de tudo, de alguém para ajudá-lo a se convencer de que ele precisa parar de se drogar. Porque é dele que vem essa decisão. Da mesma forma que não adianta prender na cadeia, não adianta internar à força, fazer batida na cracolândia para mandar todo mundo pra clínica. Dali a 3, 6, 9 meses ele vai sair e vai voltar a se drogar.
Minha irmã me contou e até apanhou de uma interna da clínica onde ficou que gritava que não adiantava colocá-la ali, ela sairia e começaria tudo de novo.
Foi assim uma, duas, três, quatro (acho que foram quatro, talvez cinco) vezes com minha irmã. Só deu certo da última vez, quando ela chegou no fundo de seu poço (se esse fundo fosse meu, eu teria chegado bem antes) e pediu para ser tirada de circulação. Ela perambulou pelas ruas, como aqueles moleques da cracolândia. Ela trocou todas as roupas que vestia, até a meia, por droga. Quando foi encontrada, usava uma havaiana sem sola e fedia. E ela só foi encontrada porque quis.
Faz 7 meses que ela saiu da última internação. A droga ela não consome mais. A luta agora é para que ela volte a andar com as próprias pernas, porque parece que desaprendeu. Ou nunca andou sozinha, talvez.
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