"Olha o carro do segurança", apontou a Gisela, na volta do dia de visita que tivemos no último sábado.
"Esses dias uma menina tentou fugir, mas eles a levaram de volta. Ela saltou pela cerca elétrica quando estava desativada, subiu numa bananeira e escapou. Quando os seguranças a viram, perguntaram de onde ela estava vindo e ela mentiu. Eles suspeitaram e, fingindo que dariam uma carona, levaram ela de volta para a clínica."
"Essa menina tinha hábitos horríveis quando chegou na clínica. Viveu cinco anos na rua, se drogando. Daí a mãe dela achou ela e internou. Ela ficava na Cracolândia, é ex-agente penitenciária. Tem 28 anos."
"Nem dava pra ela ficar junto com a gente, porque ela era nojenta. Parecia um bicho."
Eu, espantada, perguntei se a menina tinha família com condições de pagar pela clínica - que é caríssima. Me assustei com alguém que mora cinco anos da rua e tem pai e mãe com dinheiro para bancar uma internação.
A Gisela respondeu que sim, os pais têm condições.
Daí que me veio na cabeça: o vício nivela todo mundo por baixo mesmo. Viciado é tudo igual, quando chega um certo ponto da fissura. Independentemente se é rico ou pobre, estudado ou analfabeto.
O que faz a diferença, no final das contas, é a família. A estrutura - emocional e financeira - que ela pode fornecer para ajudar o filho a sair do problema.
O que fazer com quem não tem essa estrutura?
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