Na segunda-feira (14/6) ela me ligou à tarde para saber se eu estava bem, porque tinha tido um pesadelo comigo no qual eu a encontrava "daquele jeito, suja e drogada" na rua.
"Eu estou bem", respondi. "E você?", devolvi. "Está sentindo alguma recaída, vontade de usar de novo?", perguntei, já com a pulga atrás da orelha. Ela respondeu que não.
Eu ainda comentei com ela que sonhos e pesadelos, às vezes, refletem o nosso inconsciente, as nossas vontades, o que pensamos durante o dia. Ela disse que estava tudo bem, tinha sido só um pesadelo.
Bem, naquela noite, o pesadelo começou mesmo. Mas para mim, para meus pais, irmão. Porque ela havia sumido.
Imagina o sentimento de culpa, o peso na consciência que eu senti ao saber, tarde da noite. Foi mais uma noite mal dormida e ainda com o agravante de ela ter me ligado naquele dia. Achei que pudesse ter percebido, feito alguma coisa. Achei que pudesse ter ajudado.
Mas, não. A culpa não é minha nem de ninguém.
Quando eu soube que ela tinha chegado em casa e estava com meu pai, no dia seguinte, eu senti um alívio tão grande, mas tão grande... Um misto de felicidade de saber que ela estava viva e de que, na falta de uma bola de cristal, eu não descobri o que se passava quando ela me ligou.
Hoje o que eu sinto é um misto de raiva e dó.
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