Rolei na cama das 5 às 7, sem conseguir pregar o olho. É muito pensamento que passa pela cabeça. Foi quando eu pensei sobre as armaduras que cada um veste, na vida, para se proteger das mais variadas situações que incomodam, fazem mal, entristecem, botam medo. E cada um tem a sua própria maneira de se armar contra os problemas. Tem gente que sente raiva de uma situação e, sentindo raiva, se afasta. Se protege com a raiva. Sente um ódio de alguém, ou de um fato, que não consegue pensar sobre a situação nem se envolver com o problema. Fico pensando se não é fácil ser desse tipo, que sente raiva. Porque funciona muito bem como uma armadura: a pessoa não se envolve emocionalmente, nem se deixa levar pelos medos e ansiedades que o problema pode acarretar. Eu, pelo contrário, não sinto raiva. Minha raiva passa em segundos, sempre passou. Não costumo guardar ressentimentos nem mágoas. Talvez devesse ser mais assim. O caso é que não sou. Eu sou daquelas cuja armadura é tentar esquecer um pouquinho, durante o dia, durante a noite. Mergulho no trabalho, me dedico a uma atividade ou a outra pessoa para poder não pensar a todo momento no que me entristece, no que me causa dor. Quando cai a ficha e eu me lembro do problema, daí fica ruim. É como levar uma martelada da realidade na cabeça. Dá vontade de me enfiar em um lugar escuro e ficar lá na posição fetal, protegida dos meus fantasmas. Dos medos que rondam minha vida atualmente. Fico perdida. Tem ainda quem vista a carapuça da esperança e passe a acreditar que vai melhorar. E repete a si mesmo aos outros: vai melhorar, calma porque vai melhorar. Bem, eu tinha essa armadura também. Lá em junho, quando houve a primeira crise. Se 70% não se recuperam, tem ainda os 30% que se recuperam. É nesses 30% que devemos nos apegar, não é? Porque, se vai entrar pra uma guerra, que entre achando que vai ganhar. Se entrar sabendo que vai perder, você vai perder, pode ter certeza. O duro é manter essa armadura por muito tempo. Porque vem a realidade e te derruba feito um galho de árvore morta. Te arrasta feito entulho em enxurrada. E há ainda a incrível capacidade do ser humano de se acostumar com as situações. Da primeira vez, o choque é enorme. Da segunda, já está meio amortecido. Da terceira, o corpo parece nem sentir mais a pancada. É como olhar todos os dias crianças pedindo dinheiro no sinal e, de um dia pra outro, parece que elas nem estão ali mais. Já fazem parte da paisagem.
Eu não quero que entre para a minha paisagem a sensação de amortecimento. Eu quero voltar a vestir a armadura da esperança. E com ela lutar contra todos os demônios.
Porque eu estou vestida com as roupas e as armas de Jorge.
E vou ganhar esta batalha. Ah, vou.
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