terça-feira, 6 de novembro de 2007

Feliz ano velho?

Cada dia com sua agonia. Ou uma agonia de cada vez. Ou uma agonia a cada dia. Todos os dias. Queria entrar na cabecinha dela pra saber o que se passa. O que pensa, o que quer, por que não consegue sair do redemoinho no qual entrou. Queria entrar na mente, por um dia, pra poder achar o lugar onde ainda existe razão e fixar esse lugar em toda a mente dela, pra que possa enxergar o melhor dentre o que há de ruim. Puxar o fio da razão por toda a mente, fazê-lo se espalhar por todos os cantos estranhos que habitam hoje os pensamentos dela. Por que não luta? Ou, se luta, por que não vence? Sabe quando a vida era comum, sem sobressaltos? Lembra quando os problemas eram solucionáveis? Lembra quando o dia começava e terminava normalmente? Lembra dos anos passados? Do livro do Marcelo Rubens Paiva que celebrava o ano que tinha ficado pra trás, não o ano que está por vir? A vontade é ficar lembrando das épocas em que nada disso acontecia, em que o problema não existia. O fato é que o futuro está aí, o dia seguinte está batendo na porta, pronto pra raiar. Como todos os dias devem ser. É para o futuro que olhamos, é no futuro que depositamos todas as expectativas. Claro que há frustrações. A vida é assim mesmo, o que se pode fazer? É no futuro que quero me apegar, pra acreditar que vai melhorar. Que ela vai melhorar. Porque ela vai, eu tenho que acreditar que vai.
Feliz ano velho, sim. Mas é no ano novo que eu vou me agarrar. Porque o ano novo vai ser maravilhoso (eu quero acreditar que sim).
E porque quem vive de passado é museu.

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