sábado, 29 de março de 2008

Juízo?

Sumiu. Pegou emprestado o carro de um amigo da faculdade e não voltou mais. Depois de uma festa. Meu pai estava indo para Rio Preto para encontrá-la hoje, iam passar o fim de semana juntos. O pai do menino dono do carro ligou no celular dele pra dar a notícia.
O celular dela está na caixa postal.
Enquanto isso, eu só quero saber uma coisa: está viva?
Meu irmão me ligou para contar. Minha mãe ligou depois, chorando. Meu pai está sozinho, com o pai do menino, na delegacia prestando queixa do desaparecimento.
Vão procurar onde? Nas bocas de fumo? Nos hospitais? No IML?
Alguém tem alguma noção do que é isso? O que é não saber da sua própria irmã? O que é torcer, em casa, sozinha, para que ela esteja viva pelo menos?
Alguém sabe como é sentir medo de que o pior aconteça mas ao mesmo tempo querer dar uma surra nela? Como pode ser tão egoísta? Como pode fazer isso com os outros, com a família que a ama? Como pode só pensar em si mesma sempre, acima de tudo? E sempre para o pior.
E eu fico me perguntado a razão para isso tudo estar acontecendo. Por que isso existe, por que a gente sofre tanto, por que tantas outras famílias sofrem tanto. E, na inocência do meu desespero, eu quero saber também por que existe droga no mundo.
Eu liguei para ela ontem. Fazia semanas que não falava com ela. Contei do meu vestido para o casamento da minha prima, no qual serei madrinha. Disse que ainda estava de férias. Perguntei se tinha crescido juízo na cabeça dela. E ela respondeu que juízo não está sobrando, mas está no ponto. Bom, pensei, pelo menos está no ponto.
É trágico e irônico.
Ontem um amigo meu me perguntou se eu não ia mais atualizar o blog. Foi então que me dei conta de que tudo estava muito tranquilo nos últimos dias... sem sobressaltos.
Bons tempos foram os últimos dias. A agonia começou de novo.

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