sábado, 3 de novembro de 2007

Ainda é cedo, amor
Mal começaste a conhecer a vida
Já anuncias a hora da partida
Sem saber mesmo o rumo que iras tomar
Preste atenção, querida
Embora eu saiba que estás resolvida
Em cada esquina cai um pouco tua vida
Em pouco tempo não serás mais o que és
Ouça-me bem, amor
Preste atenção o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos, tão mesquinho
Vai reduzir as ilusões à pó
Preste atenção, querida
De cada amor tu herdarás só o cinismo
Quando notares estás à beira do abismo
Abismo que cavastes com teus pés

Não é mórbido. É lindo. Traduz perfeitamente o que se passa hoje com relação a alguém que eu amo muito. A vida é curta demais, mas ainda somos muito jovens. Eu tento aconselhar, tento me aproximar, tento dar força e dizer que vai passar. Que ainda há tempo. Mas a sensação de impotência é terrível. A sensação de estar perdida por não ser capaz de mudar a situação. Impotência extrema. Incapacidade. Você é incapaz de alguma ação? Eu sou. Já fui outras vezes, é verdade, mas desta vez é real, é palpável. Angustia. Talvez escrever melhore. Por isso, e por ela, eu criei esse blog.

Um comentário:

DrPedro disse...

Talvez Cartola tivesse a real noção de que certas situações são por assim dizer "trituradoras" para aquilo que podemos dizer "nossa alma". A mesma sensação de impotência que foi dita é por aqui sentida, só que em uma magnitude inimaginável. Somos o começo e para todos os que participaram do começo a imagem do fim é inaceitável. A luta vale a pena e por ela nao desistimos.