Reproduzo aqui íntegra de reportagem publicada hoje no G1, sobre o crack. Leia, se quiser, e entenda do que eu estou falando. É bem interessante.
A polícia do Rio admite pela primeira vez que o crack já está à venda em todas as boca-de-fumo das favelas cariocas e inicia investigação para descobrir o caminho das pedras. A apreensão, na terça-feira, de 2.378 pacotes em uma favela do subúrbio reforçou a hipótese do uso crescente da droga e a presença maciça dessa substância no mercado do tráfico.
"Isso passou a ser uma grande preocupação da polícia. Essa droga é tão alucinante, deixa o sujeito numa fissura tão grande, que ele é capaz de fazer qualquer coisa. O viciado é capaz de começar a roubar para repetir a dose", afirma o delegado Marcus Vinícius Braga, titular da Delegacia de Combate às Drogas (Dcod).
"Nossa atenção está voltada para a rota do crack. Sabemos que, em geral, vem de São Paulo, mas precisamos descobrir se existem outras fontes ou se estão produzindo aqui mesmo", acrescenta. Segundo o policial, a oferta de pedras de crack, por ser mais barata do que as outras drogas, é maior em grandes favelas do subúrbio, como Jacarezinho, Alemão e Mangueira, e em áreas de bolsões de miséria. "Mas já têm muitos jovens de classe média usando. Talvez, pela redução da oferta de outras drogas."
De acordo com o delegado, o crack já representa a metade da quantidade de drogas vendida nas bocas-de-fumo do Rio. "O pior é que hoje é oferecido em favelas de qualquer facção." Foram os próprios traficantes que decidiram quando o crack passaria a fazer parte do mercado das drogas. Até pouco mais de cinco anos atrás, os criminosos não queriam vender a substância por ser barata e viciar muito rápido, o que poderia gerar acúmulo de dívidas do usuário. Depois de um acerto entre a maior facção criminosa fluminense e traficantes de São Paulo, as pedras começaram a chegar às bocas.
"É uma coisa preocupante. O efeito sobre o cérebro é devastador. O crack é o lixo da cocaína. As autoridades precisam adotar uma política de prevenção séria antes que isso se torne uma calamidade como se viu em Belo Horizonte, na década de 90, e em São Paulo", alerta a pesquisadora Alba Zaluar, professora titular do curso de antropologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), que já publicou vários livros, como "Cidadãos Não Vão ao Paraíso", "A Máquina e a Revolta", "Da Revolta ao Crime S.A.", "Drogas e Cidadania" e "Integração Perversa -Pobreza e Tráfico de Drogas".
Para o médico psicofarmacologista Elisaldo Carlini, diretor do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid), o aumento do consumo desse tipo de droga "é um indicador social dos mais desfavoráveis e perversos", já que afeta pessoas que "não vêem um horizonte na vida, que não encontram opções". "E a gente não vê nenhum preparo do estado para conter isso", lamenta.
O crack e a cocaína são feitos a partir da pasta-base de coca. O primeiro, que é um produto grosseiro, é mais barato. A pasta-base é obtida pela mistura das folhas esmagadas com querosene e ácido sulfúrico diluído. Para ser transformada em pó, passa por outras etapas de produção, nas quais são usados o éter, a acetona e o ácido clorídrico. A fabricação da pedra consiste na mistura da pasta ao bicarbonato de sódio, resultando no crack, cujo nome é uma referência ao barulho que as pedras fazem ao serem queimadas em cachimbos improvisados.
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