Em algum momento de um dia desses, não sei o motivo, eu parei e lembrei do rosto da Gisela. E foi então que me dei conta de que não a vejo há um bom tempo. Às vezes é como se ela não existisse. É ruim isso, não me sinto bem me sentindo assim. Porque não fico feliz com ela estando longe por esse motivo. Longe dos olhos, mas não do coração, pra ser brega ao extremo.
Lembrei da voz, do jeito de falar, do jeito de sentar. Até da unha, que sempre achei diferente da minha. Tem bastante coisa diferente: o cabelo dela é liso de nascença e bem mais escuro que o meu. Os olhos têm outro formato, mais fechados, e são também mais escuros. As pernas são grossas, pernas de quem costumava ser atleta. A boca parece com a da minha mãe. Aliás, elas são muito parecidas fisicamente. Os dentes são grandes, bonitos. Ela tem mais peito e ainda está acima do peso. Ela é um pouco maior, resumindo, do que eu.
Tem gente que acha que eu sou a irmã mais nova dela. Mas isso é geral, não é só com ela. Não é que ela envelheceu, eu é que sempre tive cara de criança.
Em uma época eu não me achava parecida com ela, só alguns detalhes. Mas teve uma ou duas vezes que, olhando rapidamente pra uma fotografia, eu achei que ela fosse eu ou eu fosse ela. Tive que olhar de novo pra checar. Foi então que me dei conta de como somos parecidas fisicamente.
Minha mãe costuma dizer que se espanta ao ver como somos tão parecidas e tão diferentes ao mesmo tempo - na forma física. Diferentes mesmo somos no jeito de ser, nas escolhas que fizemos.
Eu queria que ela fosse mais parecida comigo nessa parte. Não sou perfeita. Mas os meus problemas são outros. E eu queria que fossem os mesmos tipos de problema dela.
Eu quase queria que ela fosse eu.
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