sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Quando a ficha cai

Liga minha mãe para contar que minha sobrinha tem déficit de atenção, tadinha. E também para pedir que eu vá visitar minha irmã lá na clínica em São Bernardo.
"Ela está deprimida e perguntou de você", justificou, tentando me convencer. Não precisa me convencer, basta pedir. Eu vou. Preferi não voltar das outras vezes porque, sei lá, não quis. Mas neste mês meus pais não vêm porque vão pegá-la pro "indulto" no dia 8 de outubro. Fica muito caro fazer duas viagens longas em curto período de tempo.
Então eu vou, ué.
Diz minha mãe que ela está pra baixo, mas que isso faz parte do processo de cura. Chega uma hora que a pessoa começa a se dar conta de todo o sofrimento que causou, de todos os problemas que criou, de todas as barbaridade por quais passou. Chega o momento em que a ficha, finalmente, cai. E cai pesada, machucando, gritando. E deve doer mesmo, porque doeu na gente. E pior do que os outros sofrerem é a gente sofrer: porque não tem como fugir, o problema está sempre na mente, martelando, nos martirizando.
"Demorou a cair a ficha, né? Até que enfim essa ficha caiu", respondi.
Vou lá na quarta. Levar uns cigarros. Dizer oi.

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