No dia 8 de outubro a Gisela vai poder sair pela primeira vez em 5 meses da clínica onde está internada. Ela está entrando na fase de ressocialização, como eles lá chamam. Para mim, é como um regime de prisão semi-aberto: o sujeito sai para trabalhar durante o dia e volta para dormir na prisão à noite. No semi-aberto da clínica, ela vai poder ficar fora do dia 8 ao dia 12, acompanhada dos meus pais.
Eles decidiram ir para Belo Horizonte, com medo de levá-la de volta para Paranaíba. Lá mora o perigo, dizem. Para mim, o perigo está em qualquer lugar, porque o problema maior é a cabeça da gente, a mente, a vontade.
Até hoje estou tentando parar de fumar de uma vez por todas e ainda não tive sucesso. Quase nunca fumo. Mas ainda dou minhas escapadas.
O vício é potente. Qualquer tipo de vício. Viajei.
Voltando para os fatos concretos, eu andei pensando que durante essa ressocialização vai ser como ensinar algumas coisas de novo. Mostrar o mundo de novo. Imagina o tanto de acontecimento que ela perdeu? Tanta gente que morreu, nasceu, se mudou. Envelheceu. Cortou o cabelo. Foi contratado.
Fora o que terá que reaprender da própria vida, né. Ou até mesmo aprender, porque muita coisa ela nunca soube. Ou sabia errado. Pensava errado.
Como disse minha mãe logo que a Gisela foi internada desta última vez: ela está indo para longe e eu estou esperando ela voltar outra. Como se ela fosse nascer de novo. Estou grávida de novo.
E como dizia a Regina Duarte naquela eleição de 2002: eu tenho medo, muito medo.
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