quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Como fazer alguém feliz

Surpresa é sempre bom. Surpresa agradável, quero dizer. Do contrário, é desgraça. E chega de desgraça nessa vida.
Ontem fui visitar minha irmã. Acordei às 8h, troquei de roupa e fui. Parei num posto de gasolina para abastecer e comprar um pacote de cigarros, uma caixa de bombons, dois pacotes de bolacha recheada de chocolate e uma coca-cola. Devia ter levado duas cocas: a primeira acabou em meia hora. Ela queria McDonald's, mas não tinha nenhum aberto naquela hora da matina.
Cheguei lá sem saber se poderia entrar: minha mãe não tinha conseguido avisar, o telefone estava mudo. Toquei a campainha e quem me atendeu foi uma moça que já me conhecia da outra vez. Me deixou entrar e confidenciou: "Ela vai ficar muito feliz."
E foi isso mesmo que eu vi. Ela veio descendo a rampa da casa, de moleton azul de capuz, calça jeans número 40 (caindo pelas coxas, mostrando a calcinha vermelha e que ela emagreceu mais) e rabo de cavalo. O rosto vermelho, de quando a gente quer chorar mas segura. Me abraçou, mas eu nem lembro o que ela falou.
A gente desceu lá pra beira da represa e ficou, conversando, atualizando as notícias e passando frio. Dali a pouco desceu um terapeuta, chama Eduardo (acho). Ficamos conversando os três. Ele também é ex-viciado: crack e cocaína. E heroína também. Coisa pesada.
Resolvi contar sobre a série de reportagens que o Jornal da Globo tem feito sobre a "epidemia do crack". Nem sei se deveria ter contado. Mas me veio à cabeça. Falam na TV como se fosse novidade. Me irrita.
Ela me contou uns segredos.
Fui embora mais ou menos duas horas depois, tinha que trabalhar. Não chorei na saída, como da última vez. Foi bom encontrá-la. Não tenho nem como descrever a felicidade. Dela e minha.
Ela é tão novinha ainda. Dá um aperto no peito.
Se visitá-la resolvesse todos os problemas e a fizesse tão feliz sempre, se bastasse só uma visita, eu iria todos os dias.
Não lembro o que disse na hora de ir. Nem do que ela disse. A gente se abraçou. E bastou.

Nenhum comentário: