Li ontem reportagem da Rolling Stones de julho, sobre o avanço do crack na Paraíba: "A guerra da pedra: o crack invade o interior do país". Muito, muito boa a matéria, assinada por Maurício Monteiro Filho. São cinco páginas sobre o tema: desde as operações da polícia do Estado, que precisou rever conceitos e modo de atuação para barrar o avanço do tráfico e, consequentemente, do vício; até a internação de drogados em uma clínica e a recuperação de um ex-viciado.
Sim, ex-viciado parece existir.
O autor da matéria descreve de modo muito real a experiência da polícia e do viciado. Em alguns momentos, era como se eu estivesse lendo a história da minha irmã. Porque as histórias dos viciados em crack são parecidas, têm o mesmo roteiro - que geralmente passa por roubos dentro de casa, brigas com familiares, dias desaparecidos no submundo da droga e passagens pela polícia.
"Pelas biografias, o panorama é mais doloroso. Praticamente todos têm passagem pela polícia, roubam em casa e na rua, se prostituíram e violaram o mandamento supremo do tráfico: usaram o crack que vendiam", relata o repórter.
Ontem, quando já se aproximava do final da matéria, eu comecei a chorar. Hoje, relendo alguns trechos para escrever aqui, eu tenho vontade de chorar de novo. Porque as últimas frases do texto me trazem uma dor grande, angustiante, invasiva.
"Agora o céu está estrelado sobre a fazenda. Para F., essa é a motivação suprema para continuar na luta contra o vício: um céu estrelado. Foi debaixo desse mesmo céu que ele viveu um ano de uma vida que ele encurtava a cada inspirada. Era essa a vista privilegiada de sua casa depois de ele ter chegado ao destino de sua viagem ao fim da noite. E ter transformado em pedra e fumado o telhado da casa onde morava." Fim.
Esse F. é um menino de 14 anos. 14 anos, gente. Não pode ser o fim.
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