Sim, eles ficam agressivos.
Sim, eles ameaçam os familiares, principalmente pai e mãe.
Sim, eles partem para cima, armados ou não, dos familiares. Principalmente pai e mãe.
Sim, eles roubam.
Sim, eles vendem o que puderem para conseguir a droga.
Sim, eles se drogam dentro de casa, trancados no quarto ou no banheiro.
Sim, eles trazem gente estranha para dentro da própria casa.
Sim, eles botam em risco a segurança dos outros.
Sim, eles agem como loucos, como se tivessem um problema mental.
Sim, eles dão sinais de esquizofrenia.
Acontece que, em alguns casos, não tem problema mental nenhum incluído. São só (se podemos chamar de "só") sintomas gerados pelo uso da droga, do crack. Que detona a personalidade. Causa reações de loucos, perturbados, esquizofrênicos.
E a possibilidade aventada de existir uma doença associada quase causa um alívio na gente, porque pelo menos existe um problema que complementa o uso da droga, não é meramente (de novo, se é que podemos usar essa palavra) vício. A chance de o viciado ter uma doença é uma desculpa encontrada para acalmar nosso desespero. Porque, assim, a gente olha e consegue sentir dó. Afinal, não é exclusivamente o vício agindo sobre a pessoa.
Mas, não. Não, ela não tem esquizofrenia ou qualquer outro problema mental.
E talvez esse menino da minha idade que foi "fuzilado" por um policial em Belo Horizonte também não tivesse doença nenhuma. Os pais chamaram a polícia para controlar o garoto, que se drogava dentro do quarto com mais dois amigos. O cara partiu para cima da polícia, segundo a polícia, e levou os 12 tiros. E morreu.
O crack confunde e atordoa tanto a gente que a gente chega a pedir para existir algo a mais que justifique tanta infelicidade. Até mesmo uma doença da cabeça. Uma outra doença da cabeça.
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